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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 487

Abel ficou atônito.

Até que as pessoas que se aglomeraram ao redor, atraídas pelo barulho, o alertaram:

— Isso é um aborto? Estamos num hospital, pegue-a no colo e procure um médico logo!

Abel voltou a si, ergueu apressadamente Julieta, que estava coberta de sangue, e correu em busca de atendimento médico.

Julieta suava frio de dor. Enquanto era levada para a sala de cirurgia, ela olhou para Abel, com o rosto banhado em lágrimas, e disse:

— Abel, você... queria tanto assim não ter esse filho?

Os médicos e enfermeiros ao lado, embora não tivessem tempo para fofocas, acabaram ouvindo aquilo e ficaram profundamente chocados.

Abel ficou de pé à porta do centro cirúrgico. Suas mãos estavam manchadas de vermelho, e suas roupas também carregavam grandes marcas de sangue.

Suas duas mãos erguidas tremiam sem parar, e ele demorou a abaixá-las.

Era verdade que Abel não queria a criança, mas ele nunca imaginou que Julieta sofreria um aborto daquela maneira.

Assim que a médica a examinou, soube imediatamente que o aborto fora causado pela combinação de medicamentos e trauma físico. Somando isso ao que acabara de ouvir da paciente sobre o homem não querer o bebê, ela perguntou à enfermeira qual era a situação exata.

— Parece que a gestante deu um beijo no pai da criança na escada rolante, e ele acidentalmente a empurrou para baixo.

A médica franziu o cenho e olhou para a paciente, que agonizava de dor. A mulher agarrou a mão dela e implorou:

— Doutora... meu filho... meu bebê...

A médica perguntou a Julieta:

— Você ingeriu alguma coisa diferente hoje?

O olhar de Julieta vacilou por um instante:

— Comi e bebi como de costume, nada além disso.

A médica a encarou com a testa franzida.

Com a ingestão de um abortivo seguida de uma queda daquelas, era certeza de que a criança não resistiria.

Pior do que isso: o dano ao corpo da própria gestante seria imenso.

Julieta desmaiou de dor, ignorando tudo o que aconteceu depois.

O fato de não poder ter aquele bebê específico não significava que ela não quisesse ser mãe pelo resto da vida.

A mãe abraçou a filha, que tremia dos pés à cabeça:

— Fique calma, não se agite! Seu corpo ainda não está bem, há risco de hemorragia a qualquer momento. Julieta, a culpa é minha, a mamãe errou. Eu deveria ter forçado você a ir ao hospital e tirar essa criança logo no início.

O pai, por sua vez, sentia que o maior erro do casal fora não ter mantido a filha sob os próprios olhos. Por terem fraquejado, permitiram que ela ficasse na Cidade Alvorecer. A falta de orientação adequada levara a uma série de reações em cadeia, culminando nas terríveis consequências daquele dia.

— Mãe! — Julieta agarrou-se à mãe, chorando de cortar o coração.

Era uma dor verdadeira e dilacerante.

Parado à porta do quarto, Abel escutava tudo. Seus olhos ficavam cada vez mais vermelhos, enquanto seus lábios perdiam toda a cor.

Ele levantou a mão, bateu à porta e entrou. Contudo, antes mesmo de conseguir pronunciar um pedido de desculpas, foi enxotado pelo pai de Julieta.

Logo depois, a mãe de Julieta saiu e o confrontou:

— Por que você a empurrou? Você tem noção de que ela não apenas perdeu o bebê agora, mas provavelmente não poderá mais ter filhos no futuro?! Você sabe o quanto isso é doloroso para uma mulher? Escolher não ter filhos é uma coisa, não poder tê-los é algo completamente diferente!

Abel ficou de cabeça baixa.

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