Abel ficou atônito.
Até que as pessoas que se aglomeraram ao redor, atraídas pelo barulho, o alertaram:
— Isso é um aborto? Estamos num hospital, pegue-a no colo e procure um médico logo!
Abel voltou a si, ergueu apressadamente Julieta, que estava coberta de sangue, e correu em busca de atendimento médico.
Julieta suava frio de dor. Enquanto era levada para a sala de cirurgia, ela olhou para Abel, com o rosto banhado em lágrimas, e disse:
— Abel, você... queria tanto assim não ter esse filho?
Os médicos e enfermeiros ao lado, embora não tivessem tempo para fofocas, acabaram ouvindo aquilo e ficaram profundamente chocados.
Abel ficou de pé à porta do centro cirúrgico. Suas mãos estavam manchadas de vermelho, e suas roupas também carregavam grandes marcas de sangue.
Suas duas mãos erguidas tremiam sem parar, e ele demorou a abaixá-las.
Era verdade que Abel não queria a criança, mas ele nunca imaginou que Julieta sofreria um aborto daquela maneira.
Assim que a médica a examinou, soube imediatamente que o aborto fora causado pela combinação de medicamentos e trauma físico. Somando isso ao que acabara de ouvir da paciente sobre o homem não querer o bebê, ela perguntou à enfermeira qual era a situação exata.
— Parece que a gestante deu um beijo no pai da criança na escada rolante, e ele acidentalmente a empurrou para baixo.
A médica franziu o cenho e olhou para a paciente, que agonizava de dor. A mulher agarrou a mão dela e implorou:
— Doutora... meu filho... meu bebê...
A médica perguntou a Julieta:
— Você ingeriu alguma coisa diferente hoje?
O olhar de Julieta vacilou por um instante:
— Comi e bebi como de costume, nada além disso.
A médica a encarou com a testa franzida.
Com a ingestão de um abortivo seguida de uma queda daquelas, era certeza de que a criança não resistiria.
Pior do que isso: o dano ao corpo da própria gestante seria imenso.
Julieta desmaiou de dor, ignorando tudo o que aconteceu depois.
O fato de não poder ter aquele bebê específico não significava que ela não quisesse ser mãe pelo resto da vida.
A mãe abraçou a filha, que tremia dos pés à cabeça:
— Fique calma, não se agite! Seu corpo ainda não está bem, há risco de hemorragia a qualquer momento. Julieta, a culpa é minha, a mamãe errou. Eu deveria ter forçado você a ir ao hospital e tirar essa criança logo no início.
O pai, por sua vez, sentia que o maior erro do casal fora não ter mantido a filha sob os próprios olhos. Por terem fraquejado, permitiram que ela ficasse na Cidade Alvorecer. A falta de orientação adequada levara a uma série de reações em cadeia, culminando nas terríveis consequências daquele dia.
— Mãe! — Julieta agarrou-se à mãe, chorando de cortar o coração.
Era uma dor verdadeira e dilacerante.
Parado à porta do quarto, Abel escutava tudo. Seus olhos ficavam cada vez mais vermelhos, enquanto seus lábios perdiam toda a cor.
Ele levantou a mão, bateu à porta e entrou. Contudo, antes mesmo de conseguir pronunciar um pedido de desculpas, foi enxotado pelo pai de Julieta.
Logo depois, a mãe de Julieta saiu e o confrontou:
— Por que você a empurrou? Você tem noção de que ela não apenas perdeu o bebê agora, mas provavelmente não poderá mais ter filhos no futuro?! Você sabe o quanto isso é doloroso para uma mulher? Escolher não ter filhos é uma coisa, não poder tê-los é algo completamente diferente!
Abel ficou de cabeça baixa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...