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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 467

Quando Abel chegou ao hospital, os pais de Julieta haviam saído para resolver alguns assuntos. Mariana ainda estava lá, temendo que Julieta, com meia dúzia de palavras, fizesse seu irmão abrir a carteira novamente.

A Família Rocha já mal conseguia se sustentar e logo não teria mais nenhuma fonte de renda. Se entregassem o que ainda lhes restava, a família inteira teria de mendigar nas ruas.

— Irmão, você chegou. — Mariana brincava com o celular, sentada no sofá.

Abel lançou-lhe um olhar severo e a repreendeu:

— Que confusão você está armando dessa vez?

— Vim cobrar dinheiro dela. Ela fez você perder o emprego, não deveria pagar alguma compensação? — Quanto mais Mariana falava, mais achava que estava coberta de razão. — Quando ela estava no exterior, você dava dinheiro sem pensar duas vezes. Agora que você está desempregado e sem dinheiro, ela não deveria fazer o mesmo e te dar dinheiro sem hesitar? Caso contrário, parece que só você a ama, e ela não dá a mínima para você.

— Não é verdade, Julieta?

Enfrentando o sarcasmo descarado de Mariana, Julieta trincou os dentes de raiva, mas, ao voltar-se para Abel, seus olhos transbordavam apenas mágoa.

— Abel, a médica disse que, por causa da gravidez, eu não posso passar por aborrecimentos.

Abel olhou para a barriga dela e, em seguida, pediu a Mariana que fosse para casa. Seu tom não foi excessivamente repressor.

Mariana recusou-se a ir embora. Continuou sentada no sofá, em silêncio absoluto. Abel não insistiu.

Julieta cerrou os punhos e dirigiu-se a Abel:

— Abel, o que a Mariana quis dizer agora há pouco? Como assim, você está sem trabalho?

Parado ao lado da cama do hospital, Abel observou o rosto ligeiramente pálido de Julieta e disse em tom grave:

— O Diretor Ramalho me pediu para pedir demissão. O e-mail comunicando minha saída já foi enviado. Ultimamente, só preciso ajudar o Sr. Ramalho com a transição.

O coração de Julieta despencou abruptamente, e suas pupilas se contraíram.

— Você saiu da Tecno Universal? — perguntou ela, ansiosa. — Por quê?

Abel a fitou com um olhar gélido:

— O que você acha?

Incapaz de encontrar um pingo de amor nos olhos dele, Julieta baixou o olhar.

O rosto de Julieta endureceu:

— C-como assim...?

— Significa que você pode ter a criança se quiser, mas a nossa Família Rocha não tem condições de criá-la e não o fará. Se você estiver disposta e tiver dinheiro para criá-la sozinha, então tenha. — interveio Mariana.

Abel franziu a testa ligeiramente e lançou um olhar para a irmã, fazendo-a calar-se na mesma hora.

Ao virar-se novamente, viu que os olhos de Julieta estavam marejados de lágrimas.

— Abel, este é o nosso filho. Você disse que só queria filhos que fossem meus. Essa criança veio ao mundo com o seu consentimento.

— Abel, você precisa ser tão cruel?

Mesmo que decidissem não ter o bebê, aquele definitivamente não era o momento para isso.

Sem aquela criança, a ligação entre ela e Abel desapareceria.

Abel havia perdido o emprego e, consequentemente, uma fonte estável de renda no futuro, mas ainda possuía imóveis e carros em seu nome, além de, com certeza, depósitos a prazo, fundos de investimento e outras reservas. Ele certamente não estava à beira da miséria.

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