Inês levantou o olhar.
Daniela também perguntou: — Então o seu nome carinhoso é Inês, soa muito acolhedor.
— Algumas crianças me chamam assim.
Daniela sorriu. Adrian olhou ao redor e, de repente, perguntou: — Posso dormir aqui hoje? Assim posso levar a Dra. Barros de carro para o hospital amanhã.
A Dra. Barros não se importou: — Se o Dr. Soares não se importar com a simplicidade do lugar.
— De jeito nenhum. — Adrian decidiu passar a noite, e Rodrigo aproveitou para ficar também.
Daniela, que acompanharia a Dra. Barros nos trâmites de Mike ultimamente, naturalmente também se acomodou por lá.
Como não havia quartos suficientes, os dois homens dividiram um e as duas mulheres outro, ambos em beliches.
Adrian subiu para a cama de cima, deitou-se e comentou que parecia ter voltado ao alojamento da universidade: — Diretor Simões, você com certeza não entende essa sensação, nunca dormiu em um alojamento na vida.
Rodrigo não respondeu. Ele se virou na cama e, por acaso, Adrian viu que Rodrigo havia mudado o nome de Inês nos contatos.
Inês.
E abriu a conversa.
Adrian achou melhor não bisbilhotar mais e voltou a se deitar.
Rodrigo apenas confirmou o horário de partida na manhã seguinte com Inês. Após combinarem de sair às nove para ver Mike no hospital, ele guardou o celular.
Rodrigo ergueu os olhos para Adrian, que estava deitado de barriga para cima, e recomendou: — Dê uma olhada aprofundada no caso do Mike. Veja se há alguma chance de curar o autismo dele.
Desde pequeno, Adrian fora forçado pela avó a memorizar textos antigos de medicina tradicional e, ao crescer, entrou por mérito próprio na faculdade para estudar medicina moderna. Em toda a Família Soares, ele era o que melhor sabia integrar as duas áreas. Ele com certeza teria uma solução.
Adrian não prometeu de imediato: — A chance de cura total é muito pequena, mas para ajudá-lo a falar e se desenvolver, eu tenho meus métodos.
— Diretor Simões, lembre-se de fazer o pagamento.
— Uhum. — Rodrigo manteve uma expressão fria que dizia "quando foi que eu te paguei pouco?".
A criança ficou radiante com a resposta e logo gritou: — Bom dia, tio!
Embora as crianças o achassem sério e de poucas palavras, descobriram que ele respondia aos cumprimentos. Logo, o segundo fez o mesmo.
O refeitório inteiro ecoou com "Bom dia, tio".
Inês notou que Rodrigo mal conseguia acompanhar tantas vozes e rapidamente mandou as crianças se sentarem para comer.
Então, Rodrigo se aproximou de Inês.
— O que vai querer? Eu pego para você.
— Vou esperar você terminar. Você escolhe.
Inês o olhou profundamente: — Então ache um lugar para sentar por enquanto.
Rodrigo acomodou-se em uma cadeira de plástico azul. A cadeirinha o fazia parecer ainda maior, e ele, por sua vez, a fazia parecer ainda mais minúscula.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...