Podia-se dizer que foi de uma extrema consideração.
A Dra. Barros sabia, no entanto, que tudo aquilo estava sendo feito em deferência à Inês. O que agora parecia uma bênção, poderia futuramente virar uma dívida a ser cobrada dela.
Ainda assim, aquelas melhorias trariam benefícios imensos ao orfanato.
Um misto de alegria e preocupação.
Ao ver a chegada de Inês e os outros, a Dra. Barros foi ao encontro deles sorrindo e explicou o que estava acontecendo.
Inês lançou um olhar para Rodrigo.
— Apenas fazendo uma boa ação para ganhar méritos próprios, não foi por sua causa. — Rodrigo afirmou.
Essa única frase não só tirou o peso das costas de Inês, como também dissipou a preocupação do coração da Dra. Barros.
Independentemente de ser verdade ou não, Rodrigo disse aquilo na frente de tantas pessoas, o que tornava mais difícil ele usar isso contra Inês no futuro.
Assim que Inês agradeceu, um grupo de crianças veio correndo em sua direção, umas tropeçando nas outras, chamando pelo nome de Inês sem parar.
Na última vez, elas só a viram de passagem no refeitório e não tiveram a chance de conversar antes de Inês sair para resolver seus problemas.
Ela observou os seus irmãozinhos e irmãzinhas, que a recebiam calorosamente todos os anos, agachou-se e abriu os braços.
As crianças, das maiores às menores, jogaram-se todas em cima de Inês.
Inês quase caiu para trás, mas Rodrigo, de pé atrás dela, serviu como o tronco de uma grande árvore. As costas de Inês apoiaram-se nas pernas dele, e ela quase se sentou em seus pés.
A expressão de Inês se congelou por um instante, mas logo em seguida ela estava abraçada com todas as crianças, escutando a tagarelice em que falavam de tudo ao mesmo tempo.
Inês apenas os escutava.
Até que a Dra. Barros avisou que já era hora de irem dormir.
Como Inês iria embora logo que acordasse no dia seguinte, ela abraçou cada um deles. Sabendo de sua partida, as crianças ficaram com as carinhas abatidas, enquanto Inês acariciava a cabeça de uma criança ao seu lado.
— Inês, nós vamos te escrever cartas. — Uma das crianças mais velhas disse.
— Combinado. — Inês assentiu.
— Inês, quem é ele? Onde está aquele irmão mais velho de antes? — Outra criança olhou para cima e perguntou.
— É mesmo! — As crianças concordaram.
Ficaram ali com os olhinhos brilhando voltados para os dois, já imaginando a festa e os docinhos de casamento.
Adrian pensou consigo mesmo: Casamento? Estão valorizando demais esse rapaz. Não há sequer a sombra de um namoro, que dirá de um casamento.
A Dra. Barros começou a apressar as crianças para a cama, e elas se afastaram relutantes, olhando para trás a cada passo e acenando repetidas vezes, com seus brilhantes olhos escuros.
Uma menininha voltou correndo de repente e estendeu para Inês um pastel inteiro e reluzente.
— I-irmã Inês, come.
Ela disse isso gaguejando, com o rosto vermelho, e saiu correndo.
— Hoje de manhã o refeitório serviu pastel, imagino que ela tenha guardado escondido para comer mais tarde. — comentou a Dra. Barros enquanto Inês olhava para o pastel em sua mão.
Os lábios de Inês se curvaram num leve sorriso, pensando consigo mesma: Ela até guardou o seu próprio lanche para mim.
— Inês? — De repente, acima de sua cabeça, ouviu-se o som de uma voz grave e agradável, cheia de dúvida de Rodrigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...