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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 453

Rodrigo calçou os sapatos nela sem dizer uma palavra. Em seguida, pegou outro banco e sentou-se.

O fato de estar sentado ligeiramente atrás e na diagonal em relação a Inês permitia-lhe observar claramente o estado dela com um simples erguer de olhar.

Ele sabia que Inês não ficaria realmente em paz até que Mike acordasse.

Rodrigo desconhecia a profundidade do vínculo entre Inês e Mike. Se fosse forte o suficiente e algo acontecesse ao menino por culpa dela, Inês passaria o resto da vida consumida pelo sofrimento.

Mesmo que o vínculo não fosse profundo, ela viveria presa à dor, não apenas pelo luto, mas pela culpa implacável.

Talvez houvesse muitas outras madrugadas como aquela, assombradas por pesadelos.

As pessoas bondosas e de forte senso moral frequentemente sofrem mais com os fardos da vida.

Rodrigo mandou uma mensagem para Daniela, orientando-a a ir descansar no hotel. Ao fazer a reserva, ele já havia garantido quatro quartos.

Inês o tinha ao seu lado.

Daniela teria que ir à delegacia na manhã seguinte para tratar de alguns assuntos e, para não incomodar os dois, seguiu para o hotel.

O quarto do hospital estava envolto em silêncio.

Inês observava Mike, que continuava em sono profundo na maca, enquanto seus olhos desviavam ocasionalmente para Rodrigo.

A imagem de Rodrigo amparando seu corpo no sonho, e o momento em que ela o abraçou ao despertar, passavam incessantemente por sua mente.

Ela havia se agarrado a ele como se fosse um pedaço de madeira à deriva.

Mas Inês não gostava daquela sensação; no passado, Abel também havia sido um salva-vidas para ela.

Acontece que...

Observar o grande presidente do Grupo Simões acompanhá-la naquela jornada exaustiva até uma cidadezinha escondida nas montanhas, comendo e dormindo mal, e sem dar uma única palavra de reclamação, seria capaz de comover até o coração mais endurecido.

Quando desviou o olhar, seus olhos baixos fixaram-se em seus próprios pés. Os sapatos haviam acabado de ser calçados por Rodrigo.

Assim que viu Inês, a tia caiu de joelhos e, puxando a barra de sua calça com os olhos marejados, suplicou:

— Você também é daqui, cresceu sofrendo como a gente. Pela misericórdia, deixe o meu Joarez em paz! Eu imploro! Tenho três filhos, sem ele, não dou conta de criá-los!

— Tenha piedade, por favor. O Joarez sabe que errou, nós não devíamos ter feito aquilo com o Mike. Nós erramos!

Inês olhou para o rosto amarelado e cansado da mulher, que contrastava com a sua jaqueta acolchoada recém-comprada. Naquele instante, achou tudo aquilo profundamente irônico.

— Vocês feriram o polegar do Mike de propósito, só para arrancar aqueles noventa reais extras por mês. Recebem os mais de duzentos reais do auxílio-invalidez dele, mas continuam maltratando o menino. Com que cara vocês me dizem uma coisa dessas?

Entre soluços e lágrimas de desespero, a mulher lamentou:

— Se o Joarez for preso, como vou sustentar meus próprios filhos e mais o Mike? Pense pelo menos no Mike, por favor!

— Vou conversar com a Dra. Barros para que o Mike volte para o orfanato. Se no passado vocês não tivessem usado os documentos e a ligação de sangue para levá-lo de lá, o Mike estaria bem acolhido na instituição. Não estaria coberto de machucados, muito menos ferido e internado em um hospital.

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