Mike foi trazido na maca.
Coberto de sangue.
Com o rosto pálido como cera, ele segurava com firmeza o amuleto de proteção e o relógio comunicador, já sem qualquer sinal de vida.
Embora ela não tivesse puxado o gatilho, sentia que o sangue de Mike estava em suas mãos.
Sentiu como se todo o sangue de seu corpo tivesse sido drenado em um instante, e demorou um tempo até conseguir reagir.
Ela esticou a mão para tocar o rosto de Mike, abriu a boca tentando chamar o nome do garoto, mas descobriu que sua voz havia sumido.
Por mais que gritasse, não saía nenhum som.
Não importava a força que fizesse, por mais que forçasse as cordas vocais, não conseguia pronunciar o nome de Mike.
O desespero tomou conta dela.
Rodrigo a abraçou, envolvendo-a com força. Chamou o seu nome ao pé do ouvido, confortando-a e dizendo que estava tudo bem.
Mas o corpo dela não parava de desabar.
Rodrigo abaixou-se com ela, apoiando um dos joelhos no chão.
Ela batia nas costas de Rodrigo, incapaz de articular até mesmo o nome dele.
As lágrimas empapavam seu rosto e escorriam para sua boca.
— Inês, Inês? — Rodrigo chamou novamente, e ela tentou abrir a boca, mas não conseguia pronunciar nenhuma palavra.
Especialmente quando viu, impotente, Mike sendo levado para o necrotério.
Ela queria dizer:
— Rodrigo, Rodrigo... Mike, Mike...
— Inês, acorde, Inês... — Rodrigo, que acabara de chegar ao hospital, viu que Inês estava presa num pesadelo, com o rosto banhado em lágrimas.
Daniela também havia despertado, acompanhando a cena tensa de perto.
Rodrigo inclinou-se, deu leves tapinhas no rosto de Inês e continuou chamando o seu nome.
Finalmente.
Inês abriu os olhos, que transbordavam lágrimas.
Rodrigo estava ali, tão perto, e a imagem se fundiu com a cena de seu sonho.
Por um instante, ela não soube distinguir a realidade do sonho. Ergueu-se e o abraçou, exatamente como fizera em seu pesadelo.
— Rodrigo...
Ela percebeu que sua voz havia voltado.
— Rodrigo, Mike, não deixe que levem o Mike. Me desculpe, me desculpe, a culpa é toda minha, a culpa é minha, Rodrigo, a culpa é toda minha...
Inês debulhava-se em lágrimas, com a voz embargada e irreconhecível.
Daniela estava muito preocupada, mas, ao ver os dois abraçados, levantou-se silenciosamente e saiu do quarto.
Rodrigo colocou-se ao seu lado:
— Olhe o monitor cardíaco.
Inês virou o rosto.
As oscilações do monitor estavam normais.
Naquele momento, Inês finalmente acreditou que havia sido apenas um sonho.
Felizmente, era apenas um sonho.
Rodrigo puxou uma cadeira e colocou-a atrás dela, ordenando com voz grave:
— Sente-se.
Inês obedeceu.
Rodrigo abaixou-se, colocou os sapatos perto dos pés dela, segurou seu tornozelo com uma das mãos e fez o movimento para calçá-la.
Ao sentir a palma quente tocando seu tornozelo gelado, Inês encolheu o pé.
— Não se mova. — disse Rodrigo, erguendo o olhar para ela.
Inês abaixou os olhos e fitou perplexa o homem agachado aos seus pés.
No sonho, ele a havia abraçado com um dos joelhos apoiados no chão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...