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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 443

Inês pegou os espetinhos e os churros que ele oferecia, e os dedos de ambos se tocaram brevemente.

Os dedos de Rodrigo tremeram de leve, mas, no segundo seguinte, ele recolheu a mão como se nada tivesse acontecido.

Inês olhou para ele:

— Rodrigo, entre no carro. Está frio lá fora.

Rodrigo deu a volta pela frente do veículo, abriu a porta e entrou. Inês fechou o vidro do seu lado.

O aquecedor do carro estava ligado.

Rodrigo ajustou o GPS para o hotel. Durante o trajeto, Inês não abriu o lanche noturno para comer.

Rodrigo questionou:

— Não gostou?

Inês balançou a cabeça:

— Vamos comer juntos.

Rodrigo não disse mais nada e continuou dirigindo até estacionar na entrada do hotel.

Era o melhor hotel do município, embora não fizesse parte de nenhuma grande rede.

Os dois entraram lado a lado. Rodrigo exibiu sua identidade digital, e Inês também entregou seu documento, informando que havia feito a reserva.

O recepcionista olhou para Inês:

— A senhora reservou dois quartos luxo com cama de casal. Gostariam de ficar no mesmo andar?

Inês confirmou com a cabeça:

— Sim.

O pomo de adão de Rodrigo subiu e desceu. Ele olhou para a máquina de vendas no saguão, virou-se e perguntou a Inês o que ela gostaria de beber. Inês pediu apenas uma garrafa de água mineral.

Com as duas garrafas na mão, Rodrigo seguiu Inês. Eles passaram o cartão na catraca, entraram no elevador e subiram para o segundo andar.

Não apenas ficaram no mesmo andar, como os quartos eram lado a lado.

Inês partiu um dos churros ao meio e entregou a Rodrigo:

— Não vou te dar os espetinhos. Você não tolera pimenta, e além disso é comida de rua. Se te der dor de barriga, vai ser um problema. O A...

Tendo soltado apenas o início do nome, ela se interrompeu a tempo.

Mencionar Abel naquele momento atrairia um azar tremendo, mas o único ponto de referência que lhe viera à mente fora ele.

Rodrigo compreendeu a palavra não dita. Ele esticou a mão, pegou os espetinhos dela, tirou três para si e entrou no seu próprio quarto sem dizer mais nada.

No segundo seguinte, a porta se abriu novamente.

Rodrigo, parado no batente, disse a Inês:

— Vá dormir cedo. Amanhã ainda temos que ir à cidade vizinha.

— Certo. — Inês queria apenas dar boa noite e encerrar o dia, mas Rodrigo sempre lhe transmitia uma indescritível sensação de firmeza e segurança. Ela acabou desabafando: — Rodrigo, o meu coração está muito inquieto.

Rodrigo sabia.

Ele escutou em silêncio.

— E não é uma angústia sem motivo. Aquelas pessoas no beco me contaram que o auxílio de deficiência mental do Mike deveria pagar só cento e quarenta e oito. Mas, por ter perdido o polegar, o valor subiu para mais de duzentos por mês.

— Nas fotos que Abel me mostrou, e também pelas descrições delas, no inverno o Mike não tinha sequer uma única peça de roupa que o aquecesse de verdade. Duzentos seriam mais do que suficientes para comprar roupas térmicas.

— Além disso, acabei de pesquisar sobre aquela escola especial e não há uma única avaliação negativa. Sob quais circunstâncias um lugar não teria absolutamente nenhuma crítica ruim?

Sendo o homem no comando do Grupo Simões, Rodrigo sabia disso melhor do que ninguém. Naturalmente, alguém havia manipulado as informações nos bastidores.

— Inês, se você quiser, podemos partir agora mesmo.

A voz de Inês hesitou, mas, por fim, ela balançou a cabeça e disse:

— Deixe para lá. Melhor irmos amanhã de manhã.

Estava exausta demais.

Da Cidade Alvorecer à Cidade GIO, de lá para a Cidade King, e então até aquele município.

O trajeto já havia sido torturante o suficiente.

Rodrigo insistiu:

— Tem certeza?

Abel mergulhou em um sono profundo.

A pessoa do outro lado da linha também foi, gradativamente, fechando os olhos.

...

No início da manhã.

Após escovar os dentes e lavar o rosto, Inês bateu na porta de Rodrigo.

A porta se abriu. Inês notou olheiras leves sob os olhos de Rodrigo.

Ele não tinha dormido bem.

Talvez a cama não fosse confortável o suficiente.

O isolamento acústico do hotel também era bem mediano. O tempo todo vinham ruídos de carros da rua em frente, especialmente à noite, quando caminhões de carga pesada passavam, causando um estrondo bastante evidente durante o sono da vizinhança.

No entanto, Rodrigo não demonstrou nenhuma insatisfação. Perguntou com naturalidade:

— Vamos tomar café primeiro ou comemos no caminho?

Inês respondeu:

— Comemos no caminho.

Assim que desceram, o secretário que os havia levado às escolas na noite anterior já aguardava no saguão, com o carro oficial, dizendo que os acompanharia até a escola especial.

Com ele por perto, seria bem mais fácil encontrar quem procuravam.

Inês comprou três porções de café da manhã, uma para cada. Como ela não precisava dirigir, conseguia comer tranquilamente, mas Rodrigo não.

Além do mais, ele não tinha dormido bem na noite passada.

Inês pensou consigo mesma que precisava urgentemente tirar a carteira de motorista.

Dali até o município vizinho o trajeto não era por rodovia expressa. Pela estrada estadual, a viagem levaria uma hora e meia. Preocupada em deixar Rodrigo morrendo de fome, Inês pegou uma coxinha e a aproximou dos lábios dele.

Junto com a coxinha tocando os lábios de Rodrigo, foram também os dedos de Inês.

Os lábios do homem estavam um pouco ressecados.

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