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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 442

Essas revelações não iam além do que ela já imaginava. Situações como essa, de fato, não eram raras em regiões mais afastadas.

Porém, quando ouviu que o polegar de Mike havia sumido, seus olhos se arregalaram instantaneamente. Ela deu um passo à frente e insistiu:

— O polegar do Mike sumiu? Como isso aconteceu?

Quando Mike deixou o orfanato, todos os seus dedos estavam intactos. Sua única limitação era o autismo.

As mulheres balançaram a cabeça, indicando que não sabiam.

Um aperto sufocante tomou o peito de Inês.

Rodrigo não compreendia o sotaque delas, mas conseguia ler perfeitamente as mudanças na expressão de Inês. Ao notar que ela não estava bem, ele se aproximou para ampará-la.

Inês agradeceu às mulheres e levou a mão à bolsa para pegar algo. Talvez por estar excessivamente preocupada com Mike, não conseguiu encontrar de imediato.

Rodrigo fez menção de pegar a própria carteira.

Inês liberou uma mão para segurar o pulso dele. Da sua bolsa, ela tirou punhados de balas e entregou a elas. Nos dias de hoje, ninguém sentia falta de doces, mas serviam como um agrado casual.

Talvez por causa daquele punhado de balas, uma das mulheres parou para pensar com mais cuidado e disse:

— Eu acho que, na época, ouvi por alto algo sobre uma escola especial.

— Escola especial? Como eu nunca soube disso?

— A nossa cidade não tem nenhuma, claro que você não saberia. Eu só ouvi um comentário. — A mulher olhou para Inês. — Não tenho total certeza, mas o homem falou em português e eu não sou surda.

Inês agradeceu com sinceridade:

— Muito obrigada!

Ela puxou Rodrigo pelo pulso e saiu do beco, soltando-o apenas quando chegaram à beira da rua.

A atenção de Rodrigo ainda estava no toque da mão dela em seu pulso alguns instantes antes.

— Não foi minha intenção segurar você daquele jeito — Inês se justificou. — Rodrigo, aqui não é como um restaurante na Cidade Alvorecer. Dar gorjetas em troca de informações atrai problemas.

Rodrigo voltou a si:

— Entendi.

Ele havia compreendido a situação.

— O que elas disseram agora pouco? — Rodrigo havia compreendido apenas palavras isoladas e teve dificuldade em montar o contexto.

— Falaram sobre a situação do Mike nesses últimos dois anos. E também mencionaram uma escola especial, mas esta cidade não possui nenhuma. — Inês pegou o celular para fazer uma busca rápida por escolas especiais na Cidade GIO, depois focou na Cidade King, e então reduziu a área de busca para os municípios vizinhos àquele em que estavam.

Se não houvesse nenhuma nas redondezas, ela continuaria expandindo a busca, uma por uma.

O município vizinho era grande e possuía uma escola especial.

Contudo, não dava para ter certeza de nada baseando-se apenas no falatório alheio.

Ainda precisavam verificar as escolas dali.

Rodrigo compreendeu o raciocínio dela e sugeriu:

— Vamos ao Primeiro Colégio, então?

Inês concordou com a cabeça.

Os dois chegaram ao portão do Primeiro Colégio. Havia um homem com uma maleta parado por ali que, ao vê-los, foi imediatamente recebê-los.

— Diretor Simões, Dra. Jardim, olá. Sou o secretário do Diretor Santos. Vou levá-los para falar com o diretor da escola.

Inês ergueu os olhos, encarando Rodrigo com surpresa.

Enquanto ela sondava por informações, Rodrigo não havia ficado parado. Com apenas algumas mensagens, ele já tinha estabelecido o contato. O encarregado do outro lado havia chegado muito rápido.

Rodrigo abriu a porta do carro para que Inês entrasse primeiro e avisou com uma voz grave:

— Me espere um instante.

Inês continuava de cabeça baixa, procurando informações sobre a escola especial do município vizinho, incluindo todo tipo de notícias na internet.

Contudo.

Não havia sequer uma única notícia negativa.

Inês franziu levemente a testa. Aquilo não era normal. Onde há elogios, também deve haver críticas. Como era possível uma escola não ter absolutamente nenhuma avaliação negativa?

Enquanto ponderava sobre isso, duas sacolas foram estendidas em sua direção, exalando uma névoa de calor.

Rodrigo estava em pé junto à janela do carro, com as duas sacolas penduradas em seus dedos de articulações bem delineadas.

Uma sacola com espetinhos e outra com churros.

Eles haviam estacionado de frente para um mercado popular.

Aquele momento era de tranquilidade no mercado, porém o lugar estava uma bagunça. Os garis provavelmente só apareceriam para limpar depois que todos os ambulantes desmontassem suas barracas.

Rodrigo vestia um terno feito sob medida. Ele permanecia de pé, reto e elegante, com seu rosto incrivelmente frio e belo. Ele jamais deveria estar naquele cenário urbano e caótico, segurando espetinhos e churros. O seu lugar natural seria no último andar de um imponente arranha-céu, contemplando as luzes cintilantes da cidade.

Era uma cena de enorme contraste.

Mas, ao mesmo tempo, apenas realçava ainda mais a nobreza inata e a beleza de Rodrigo.

Rodrigo notou que ela demorava a pegar, então ergueu os dedos um pouco mais.

Com um leve curvar de cabeça, o olhar profundo do homem atravessou a janela do carro, recaindo de soslaio sobre o rosto puro de Inês.

— Salgado e doce, tem os dois.

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