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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 439

Lucinda encontrou um canto tranquilo e ligou para Julieta.

Após algumas trocas de gentilezas, foi direto ao assunto:

— Vim para a Cidade GIO captar algumas imagens e acabei encontrando a Inês. Ela voltou para o orfanato. Já que ela estará longe da Cidade Alvorecer por um tempo e seu namorado não a verá, vocês dois terão mais tempo para ficarem juntos.

Lucinda tinha uma tática ao falar: ela soava sempre altruísta.

Suas palavras pareciam sempre pensar no bem-estar do outro, dando conselhos enquanto plantava sutilmente a informação que queria espalhar e induzia a pessoa a revelar o que ela desejava saber.

Como esperado, Julieta ficou surpresa:

— A Inês voltou para o orfanato? Não é à toa... — Não é à toa que o Abel disse que ela não nos processaria por enquanto.

— Hum? O que foi? — O tom de Lucinda soava carregado de preocupação por ela.

Julieta explicou:

— Aconteceram umas coisas ultimamente e a Inês estava pressionando a gente, mas de repente ela parou. Deve ter ido resolver algo muito mais importante.

— Ah, entendi. — Lucinda deu uma risadinha. — Contanto que a Inês pare de pressionar você e que você fique bem, já está ótimo.

— Obrigada, Lucinda.

— Imagina. — Lucinda sondou com cuidado: — Mas o que poderia ser tão importante a ponto de fazer a Inês pegar um voo de emergência para a Cidade GIO?

Será que Inês queria procurar os pais biológicos? Será que havia conseguido alguma pista sobre eles?

O coração de Lucinda acelerou.

Ela tinha problemas cardíacos, e a ansiedade fazia seu coração bater muito mais rápido do que o de uma pessoa normal na mesma situação.

Ela tentou, com muito esforço, acalmar os nervos.

A Cidade GIO ficava em uma região de planalto, e a altitude não era nada amigável para alguém que sempre viveu no nível do mar e sofria do coração.

Quando Julieta respondeu que também não sabia de nada, Lucinda arrumou uma desculpa qualquer e encerrou a ligação.

A própria Julieta estava confusa. Que urgência seria tão grande a ponto de fazer Inês suspender o processo?

Até porque a presença física dela não era obrigatória para dar andamento à ação judicial, bastava deixar tudo nas mãos do advogado.

Julieta pegou o celular para ligar para Abel e perguntar qual era a situação.

Ela não queria ser a última a saber das coisas.

Mas mal pegou o aparelho, já escutou a repreensão do avô:

— Vai ligar para o Abel de novo? Em vez de perder tempo com romance, por que não termina logo o que eu mandei você fazer?!

— Já terminou de listar os bens? Quando terminar, vou mandar alguém vendê-los para você; assim, não vai sentir tanta pena por não estar vendo!

Julieta fez um bico:

— Já vou listar, avô.

Ela se virou para sair de perto.

— Faça isso aqui mesmo, na minha frente!

Sem coragem de dar mais um passo, Julieta se sentou a contragosto diante do notebook.

O Sr. Ximenes ficou em pé ao lado dela, vigiando-a com uma expressão severa e fria.

...

No orfanato.

Após a breve conversa com Inês, Lucinda pareceu ter se aquietado, dizendo que voltaria para o quarto para editar os vídeos.

Inês estava esperando a chegada de Rodrigo.

Antes mesmo de ele aparecer, ela recebeu uma ligação de Alice.

— O meu irmão já chegou?

— Ainda não. — Inês olhou para o portão principal, e, exceto pelos carros passando na estrada asfaltada, não havia sinal de nenhum veículo vindo naquela direção.

— O garoto de programa chegou.

Alice caiu na gargalhada:

— Hahahahaha...

Meu Deus, eu fui uma péssima influência para a Inês.

Hahahahaha...

Inês encerrou a ligação no meio de uma enxurrada de risadas sonoras e escandalosas. Ao lembrar de tê-lo chamado de "garoto de programa", olhou para Rodrigo e não conseguiu evitar um enorme constrangimento.

Ela apertou o passo na direção dele e, após encará-lo brevemente, virou-se depressa para o porteiro e avisou:

— Ele é um amigo meu, veio me visitar.

O porteiro abriu o portão para ele entrar.

Inês orientou Rodrigo a estacionar o carro em um espaço vazio. O lugar era atingido em cheio pelo vento frio e cortante, que bagunçou todo o cabelo dela.

Ela levantou a mão, prendendo os fios atrás das orelhas e expondo o rosto inteiro. A ponta de seu nariz estava vermelha devido ao vento congelante.

Ao ver a pontinha vermelha do nariz dela, Rodrigo franziu levemente a testa e se posicionou bem ao lado dela, servindo como uma barreira; os cabelos de Inês, que voavam descontrolados, aos poucos se aquietaram.

— Coloque uma máscara.

— Eu esqueci. — Inês começou a guiá-lo e disse: — Primeiro vamos ver a Dra. Barros. Ela estava preocupada em me deixar ir sozinha atrás das informações do Mike, por isso me pediu para trazer alguém de confiança. Você está cansado?

Rodrigo percebeu pela fala dela que a intenção era ir atrás de Mike o mais rápido possível.

Com uma voz profunda, Rodrigo respondeu:

— Não estou cansado.

Inês ergueu o rosto para encará-lo e então se lembrou de que Lucinda também estava lá.

Ao descobrir que Lucinda estava presente, Rodrigo estreitou os olhos longos, e uma ponta de alerta surgiu em sua mente.

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