Rodrigo, notando a suspeita iminente da irmã caçula, fuzilou-a com um olhar arrepiante.
Alice engoliu a desconfiança e concordou de imediato: — É, isso mesmo. Uma chave que não serve para abrir nada é só um pingente inútil. Pelo menos esse rubi sangue de pombo vale alguma coisa, embora não seja grande coisa. Desse tamanhozinho... Francamente, o meu irmão é um mão-de-vaca do pior tipo.
Ela encerrou não esquecendo de criticar o próprio irmão de sangue.
Rodrigo nem se deu ao trabalho de discutir. Apenas sentou-se e continuou a comer o bolo calmamente.
Era o tipo de bolo comum que se vende em qualquer esquina. Para Rodrigo, cujos privilégios o haviam habituado a iguarias luxuosas desde a infância, aquele paladar beirava a mediocridade. Coisas medianas raramente apareciam na sua frente, quanto mais entrarem na sua boca.
A Sra. Silveira sabia disso melhor que ninguém. Por isso, ao testemunhar o seu patrão devorando aquilo sem mudar de expressão e ainda limpando o prato, sentiu uma leve surpresa.
No segundo seguinte, viu a mensagem que o patrão lhe enviara no celular.
[Amanhã, encomende para ela o bolo daquela doceria de que a Sra. Paz gosta.]
[Sim, senhor. Esse bolo de hoje foi a própria Sra. Jardim quem comprou.]
Rodrigo já sabia.
— Vamos jantar. — Inês lançou um olhar para a Sra. Silveira, indicando que ela podia trazer a comida.
Rodrigo ergueu os olhos para Inês: — Não comeram antes?
— Quando o jantar ficou pronto, você já estava quase chegando. — respondeu Inês.
— Pois é, pois é — Alice intrometeu-se. — E certas pessoas ainda por cima fingem que isso não é nada de mais. A Inês avisou especificamente para esperarmos a sua chegada para jantarmos, a irmã de certas pessoas aqui estava quase desmaiando de tanta fome.
— Mas você não estava comendo bolo? — Rodrigo rebateu secamente.
Alice limitou-se a fuzilá-lo com um olhar ríspido.
Com todos os pratos sobre a mesa, os quatro ocuparam os seus lugares.
Enquanto Inês se inclinava, a antiga chave de latão esculpido balançou suavemente no seu peito. Rodrigo lançou um olhar de soslaio, viu que ela já a havia colocado e os cantos da sua boca elevaram-se num sorriso discreto.
Alice também percebeu o enfeite e comentou: — Até que o meu irmão acertou no presente dessa vez. A Inês está usando um suéter de malha, a chave ficou perfeita como um pingente longo.
Inês estendeu a mão e acariciou a chave de latão esculpido caída no peito. A textura era agradável ao toque e possuía um peso considerável.
Inês balançou a cabeça: — Foi só um comentário. Amanhã eu tenho alguns compromissos.
Rodrigo sabia perfeitamente quais eram esses compromissos, então perguntou: — Vai voltar para a Cidade GIO?
Inês falou no exato mesmo momento: — Eu vou voltar para a Cidade GIO.
Após falarem em uníssono, os dois se entreolharam com uma surpresa velada.
Alice soltou um "uau" mudo ali perto e arrastou a sua cadeira discretamente para mais perto da Sra. Silveira.
Daquela posição da Sra. Silveira, o ângulo era perfeito para observar os dois emoldurados na mesma cena.
Ao fitá-lo tão de perto, Inês só então percebeu o traço sutil de exaustão marcando o semblante de Rodrigo.
— Sim, eu preciso ir para a Cidade GIO. O Noel disse que eu deveria discutir isso com você.
— Peça à Esther para reservar as suas passagens e siga os procedimentos de uma viagem corporativa. O destino exato deve ser mantido em total sigilo. Diga-lhe para avisar Stella Pascoal para coordenar isso discretamente nos bastidores. — Rodrigo orientou. Se Abel desconfiasse que Inês havia voltado para a Cidade GIO, certamente ficaria na defensiva, o que aumentaria as dificuldades de encontrar as pessoas necessárias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...