Passar a ceia de Natal e apenas fazer uma visita eram dois conceitos completamente diferentes.
— Vou passar o Natal. Eu vou sozinha. — confirmou Inês.
— Está bem. Vou arrumar o seu quarto com antecedência. Quando comprar a passagem, me avise que eu vou te buscar. — disse a Dra. Barros após uma breve pausa.
— Combinado, mãe. — Inês a chamou com carinho, embora sua voz soasse cansada. — Cuide bem da senhora. Eu preciso voltar ao trabalho agora.
Depois daquela conversa, Inês sentiu o coração se acalmar um pouco.
Ela se virou e voltou para o laboratório, avisando no grupo interno da equipe que não iria trabalhar no dia seguinte e que qualquer problema deveria ser encaminhado por e-mail.
Na manhã seguinte, às nove horas.
— A previsão diz que pode nevar hoje ou amanhã. Leve isso. Mesmo que não neve, ajuda a cortar o vento forte, senão o seu rosto vai congelar. — recomendou a Sra. Silveira, que, quando Inês já estava agasalhada para sair, havia trazido mais uma vez o cachecol para envolvê-lo no pescoço dela, além de entregar-lhe um guarda-chuva preto.
— Obrigada, Sra. Silveira.
— Vá com Deus, Sra. Jardim. — A Sra. Silveira observou Inês sair, fazendo um carinho nas cabeças de Didi e Mumu, como de costume, antes de ela entrar no carro do jovem mestre.
Porém, o jovem mestre não estava lá.
Ele já estava fora havia uma semana e ainda não tinha voltado.
Com os fusos horários incompatíveis, toda vez que ele ligava, a Sra. Jardim já estava dormindo.
A Sra. Jardim também andava muito ocupada ultimamente. Saía cedo e voltava tarde, dedicando toda a sua energia ao projeto, a ponto de delegar inteiramente a reforma da casa na Rua Paz, nº 10 para a governanta.
Claro que a senhorita também ajudava, afinal, apenas o carro dela estava registrado para circular livremente.
Ocupados. Os dois estavam extremamente ocupados.
Nos romances clichês de bilionários que a Sra. Silveira escutava todos os dias, era raro ver o casal principal tão atarefado. E como se não bastasse ambos estarem focados em suas carreiras, ainda por cima estavam separados por um oceano e um fuso horário.
Quando um estava trabalhando, o outro estava descansando.
Quando Inês recebeu a mensagem de Rodrigo dizendo que voltaria ao país em breve, ela acabara de descer do carro.
O céu estava tão nublado e cinzento quanto um pano de chão encharcado. Não ventava forte, mas o frio cortava os ossos, causando uma dor surda no rosto. O vapor branco da respiração pairava no ar antes de finalmente se dissipar.
As folhas das árvores em frente à cafeteria já tinham caído havia tempo, e só restavam galhos retorcidos recortando o céu cinza.
Aquele era o exato lugar onde Abel a havia pedido em casamento.
Naquele dia, ela estava arrasada por causa da suspensão do projeto do Núcleo Próprio. Havia pegado algumas notas na carteira, comprado um chocolate quente naquela mesma cafeteria, e se sentado no parapeito da janela no segundo andar, encarando o vazio com as mãos em volta do copo fumegante.
Abel havia ligado para ela e, meia hora depois, apareceu à sua frente. Ele ficou sentado em silêncio ao seu lado por um bom tempo, ouvindo-a contar brevemente como havia perdido o projeto. Então, Abel a abraçou e sussurrou em seu ouvido que estava tudo bem.
Pouco depois, ele a pediu em casamento.
— Inês, você aceita se casar comigo? Eu vou te dar um lar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...