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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 1023

Quando Adrian demorou a aparecer, Rodrigo já achava aquilo impossível. Além disso, Adrian não ousaria ignorar suas ligações, então Rodrigo decidiu procurá-lo.

Rodrigo disse a Inês que, já que Adrian havia dado o primeiro passo, não iria parar no meio do caminho, a menos que tivesse ocorrido algo grave envolvendo Paulina. Da mesma forma que, no passado, quando Paulina adoeceu, Adrian mudara de voo no meio do trajeto só para voltar.

Inês acreditava em Rodrigo.

Ela via Paulina chorando em silêncio. Suas lágrimas batiam no chão, uma gota atrás da outra, e ela até se irritou a ponto de tirar as sapatilhas rasteiras e jogá-las longe.

Ela se aproximou, curvou-se e abraçou Paulina.

Paulina encostou a testa na cintura de Inês, começando a soluçar baixinho, e em seguida rompeu em um choro alto e desesperado.

Foi a primeira vez que Inês viu Paulina tão triste e desolada.

— Paulina, ele...

— Não fale dele! — Paulina explodiu em fúria, apertando o abraço na cintura de Inês. Chorando, disse: — Inês, não o mencione! Não me importo com o que possa ter acontecido com ele, ele não deveria ter desistido de mim! Dizer que não pode me dar um futuro não é desculpa! Nada disso é desculpa, nada!

Inês, sendo mulher e também já tendo sido abandonada, entendia exatamente qual era o verdadeiro motivo da raiva de Paulina.

Se algo realmente tivesse acontecido a Adrian, ele não deveria ter assumido tudo sozinho, e sim procurado Paulina para conversarem e resolverem juntos.

Paulina nunca fora do tipo frágil. Ela não precisava de ninguém agindo sob a bandeira do "eu faço isso para o seu bem" para decidir as coisas.

— Tudo bem, não vamos falar dele. — Inês acariciou gentilmente a nuca de Paulina, sentindo um aperto no coração ao ouvir seus prantos contínuos.

Bryan e Douglas Siqueira estavam do lado de fora da sala de descanso. Pela porta entreaberta, observavam a cena e ouviam o choro interminável.

Douglas só então percebeu que sua irmã, geralmente fria e indiferente, também era capaz de abraçar e consolar os outros.

O olhar de Bryan nunca se desviou de Paulina, um vislumbre de pena cruzando seus olhos. Tendo crescido com ela, como não entenderia o que de fato a magoava?

Após entrar, o pai de Paulina pediu que Inês saísse. Inês ficou no corredor, do lado de fora.

— Paulina, se você está chateada, por que não viaja para o exterior para relaxar a mente? Poderia aproveitar e supervisionar os projetos internacionais do Grupo Ramalho, o que acha? A empresa do Bryan tem um jogo prestes a ser lançado no exterior e, provavelmente, ele terá que ir lá com frequência. Vocês cresceram juntos, e agora que estão noivos, poderiam cuidar um do outro.

Paulina estava no ápice da tristeza. Diante de traumas significativos, o ser humano tende a fugir ou buscar meios drásticos. Ela assentiu com a voz embargada.

— Certo. O papai vai cuidar das passagens e de tudo o que for preciso no exterior.

...

Neste banquete de noivado, a não ser por uma pausa na hora de assinar o Contrato de Noivado, tudo ocorreu perfeitamente bem, então o pequeno detalhe passou despercebido. Afinal, por se tratar de um casamento por conveniência, a relutância dos noivos era vista como normal, algo comum e irrelevante nas grandes famílias ricas.

Inês voltou para a Enseada do Luar e esperou até o meio da noite pelo retorno de Rodrigo. Ele procurou em todos os lugares possíveis, mas não encontrou qualquer vestígio de Adrian.

As chamadas tocavam e ninguém atendia. Quando rastrearam o sinal, tudo o que encontraram foi o telefone jogado.

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