Entrar Via

Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 1015

Quem abriu a porta foi Robson Siqueira.

Inês ainda estava inclinada e o convite não havia tocado o chão. Ao ouvir o ruído, levantou a cabeça. No instante em que os olhares se cruzaram, Robson foi rápido e tirou o convite das mãos de Inês.

Inês ficou atônita por um momento e lentamente endireitou-se.

— Vocês... entrem primeiro. — Com o convite de noivado da filha em mãos, Robson sentiu a palma quente, e até a sua voz soou um pouco rouca e calorosa.

Inês observou Robson por um momento. Notando o olhar de expectativa e nervosismo em seus olhos, finalmente deu um passo à frente para entrar.

Rodrigo viu Robson tirar dois pares de chinelos novos do tamanho exato.

Ao entrarem e sentirem o aroma de comida vindo da cozinha, ele soube que os seus pais certamente já haviam avisado o Sr. Siqueira.

Douglas voltou correndo, com o peito subindo e descendo levemente. Seu olhar pousou imediatamente em Inês e Rodrigo sentados no sofá.

Ele trocou de sapatos, tirou o casaco e o pendurou, soltou a gravata, apertou os lábios e caminhou em direção a eles.

Não disse nada ao se sentar; o seu olhar caiu sobre o convite com letras douradas na mesa de centro.

Após um longo tempo, ele finalmente abriu a boca:

— A data do noivado de vocês já está confirmada.

Inês respondeu com um "sim".

Rodrigo acrescentou com uma voz grave:

— Junho, no dia de Pequena Abundância, na Mansão Meia-Encosta.

— É um ótimo dia. — disse Douglas.

Rodrigo lançou-lhe um olhar frio, com o ar de "como se não fosse?".

Antigamente, Douglas sempre retribuía as provocações de Rodrigo. Agora, ele parecia um canhão pifado, calando-se em silêncio.

Robson olhou para o convite e, sentindo os olhos arderem repentinamente, disse:

— Nós estaremos lá.

Inês bebia água aos pouquinhos e não respondeu.

Nesse momento, a empregada saiu da cozinha e avisou que o jantar estava pronto, tirando o avental e saindo logo em seguida.

Durante o jantar, ela notou claramente que Robson e Douglas a observavam. Observavam em qual prato ela se detinha por mais tempo, observavam se precisava de lenços de papel ou de uma colher para a sopa.

Quando precisou de um lenço de papel, três mãos se estenderam ao mesmo tempo. O lenço branco quase bloqueou a sua visão do prato de arroz.

"..."

Quando ela precisou de uma colher para a sopa, Rodrigo foi um pouco mais rápido. E então pai e filho olharam simultaneamente para ele.

Os olhos de Robson carregavam um certo alívio.

Douglas ainda carregava uma leve ponta de ressentimento em relação a Rodrigo, mas predominava o ciúme e a inveja, e, por fim, a frustração. O fato de a sua própria irmã o ignorar era culpa dele mesmo.

No início, o jantar a deixou como se estivesse sentada sobre alfinetes. Gradualmente, essa sensação desapareceu.

Após a refeição, Inês e Rodrigo perceberam que pai e filho queriam que eles ficassem um pouco mais. Mas eles não ficaram. Assim que perceberam a intenção de irem embora, levantaram-se, acompanharam os dois até a porta e desejaram-lhes cuidado no caminho.

Conforme as silhuetas se distanciavam, Douglas encarou as costas de Inês e perguntou:

— Ela nos perdoou?

— Não sei. — Robson sacudiu a cabeça. Na verdade, ele não esperava que Inês os perdoasse. Viver assim já estava bom. Morar na mesma cidade, compartilhar amigos em comum, poder ter notícias da Inês e, ocasionalmente, conversar com ela já era excelente.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim