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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1037

Durante aqueles dois dias.

Florença permaneceu hospedada na casa de Flávia para cuidar de Katharine.

Desde o término do velório até o dia marcado para o sepultamento, logo pela manhã, Florença acompanhou a família Amaral até o local das homenagens, levando Katharine consigo.

Ao avistar o pai, Katharine correu em sua direção.

— Papai.

Carnelo se curvou, estendendo os braços para pegar a filha. Ele a abraçou com força, sussurrando palavras de conforto em seu ouvido, enquanto a menina assentia suavemente com a cabeça recostada no ombro dele.

Em seguida, ele colocou Katharine de volta no chão.

Florença deu um passo à frente, segurou a mão da menina e se posicionou logo atrás dele. Juntos, aguardaram até que o cerimonialista anunciasse a retirada do caixão para dar início ao cortejo fúnebre.

O momento havia chegado.

O caixão foi retirado do salão do velório.

Os membros da família Marques e da família Amaral seguiam o cortejo. O som de soluços abafados permeava o ambiente, imerso em uma atmosfera lúgubre e solene que preenchia cada espaço.

A jornada prosseguiu de carro até o cemitério, culminando com a cerimônia de sepultamento, que foi concluída por volta das onze da manhã. Logo depois, as pessoas começaram a se dispersar gradualmente.

Carnelo desceu os degraus carregando Katharine nos braços, sendo acompanhado de perto por Florença.

De volta ao local do velório, as decorações fúnebres já começavam a ser desfeitas.

Após o almoço.

Os convidados restantes apresentaram suas últimas condolências à família Marques e à família Amaral antes de se retirarem.

Na sala de descanso.

Exausta, Katharine adormecera escorada em Florença. Com extremo cuidado, a mãe a ajeitou no sofá e a cobriu com um cobertor, sentando-se ao seu lado para guardar seu sono.

Flávia e Melissa Amaral chegaram a abrir a porta, mas ao notarem que a pequena dormia, recuaram em silêncio.

Pouco depois, foi a vez de Carnelo empurrar a porta e entrar no cômodo.

Florença ergueu os olhos e o observou.

Era óbvio que ele mal conseguira descansar naqueles dias. Seus olhos estavam inchados, marcados por olheiras profundas, e a barba por fazer acentuava seu aspecto desgastado. Emanava uma exaustão absoluta e um ar profundamente abatido.

Carnelo, por sua vez, também fixou o olhar nela.

Seus olhares se encontraram.

Nenhum dos dois ousou pronunciar uma só palavra.

A janela deslizou lentamente para baixo.

O passageiro lá dentro era ninguém menos que Eduardo Tavares.

Eduardo demonstrou genuína surpresa ao encontrá-la ali, tão solitária.

— Entre, eu lhe dou uma carona. É muito difícil conseguir um carro por aqui.

Com um olhar frio, Florença ignorou Eduardo por completo. Seguiu caminhando até um banco público na beira da estrada e conferiu no celular o status da sua corrida. Ainda precisava aguardar uns dez minutos.

De dentro do carro, Eduardo a observava. A silhueta pálida e fragilizada da mulher contrastava de forma brutal com a vitalidade e a aura radiante que ela sempre costumava exibir.

Naquele instante, nem ele próprio saberia descrever o que se passava em seu íntimo.

Manteve-se no carro, observando-a continuamente.

Dez minutos depois.

O veículo finalmente encostou.

Florença se levantou, caminhou em direção ao carro, abriu a porta e embarcou.

Quando já estavam na metade do percurso, um carro compacto avançou o sinal vermelho e por pouco não os atingiu em cheio. Graças aos reflexos ágeis do motorista, conseguiram evitar a colisão direta, resultando, contudo, em um severo arranhão na lateral dos veículos.

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