Jantar em família.
O primeiro amor de Samuel Azevedo voltou ao país, e todos discutiam sobre o assunto.
Larissa Rocha, sua esposa, permaneceu em silêncio, olhando para os grãos de arroz na tigela.
A sogra mudou de assunto: — Larissa, há quantos anos o seu primeiro amor, que todo mundo chama de assassino, está preso? Logo ele vai sair, não é?
Larissa escondeu o desconforto na expressão: — Quatro anos, ele sai no mês que vem.
A sogra disse com segundas intenções: — Que rápido, você e Samuel também estão casados há quatro anos.
Larissa entendeu a indireta.
Quatro anos atrás, os freios do carro de Felipe Amaral falharam e bateram de frente com o carro de Samuel Azevedo.
Um morto e dois feridos.
Felipe Amaral foi preso.
Para conseguir a carta de perdão da família Azevedo e garantir uma pena mais branda para ele, Larissa ajoelhouse no portão da Mansão Azevedo sob um calor de quarenta graus. Suas pernas ficaram em carne viva até que ela desmaiou no chão.
Naquela época, a família Azevedo contratou um especialista em energias residenciais para analisar a casa. Ele disse que os ferimentos graves de Samuel eram fatais e que eles precisavam arranjar uma noiva logo para espalhar a má sorte.
A família Azevedo obrigou Larissa a realizar um casamento simbólico póstumo.
Ninguém esperava que, na noite do casamento, Samuel Azevedo, deitado no caixão, acordasse.
A família Azevedo disse que Larissa tinha um pouco de sorte e mandou que ela ficasse.
Desde então, Larissa serviu o marido em uma cadeira de rodas dia e noite, ajudando Samuel a assumir os negócios da família e a se tornar um líder famoso no mundo dos negócios.
Quatro anos depois, o alvo oficial do casamento da família Azevedo retornou, e o casamento deles chegou ao fim.
Larissa respondeu: — Já pedi para o advogado redigir o acordo de divórcio, daqui a pouco levo para a senhora ver.
A sogra franziu a testa e estalou a língua.
Larissa logo se corrigiu: — Desculpe, Dona Mafalda.
Assim que ela terminou de falar, Samuel Azevedo voltou.
Ele era alto e esguio, vestindo um sobretudo preto de boa qualidade, trazendo o frio do inverno. A caixa rosa bem embalada em suas mãos chamava a atenção.
Pela aparência, era um presente de mulher.
Samuel e Larissa trocaram um olhar por um segundo e logo desviaram, sentando-se do outro lado da mesa.
Do ângulo de Larissa, o perfil dele, bom demais para ser verdade, era mais frio que a lâmina de uma faca.
Difícil de tocar, inatingível.
A sogra perguntou: — Samuel, por que não trouxe a Sabrina com você?
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