Três dias em Lake Geneva me ensinaram coisas sobre Dante Ferretti que Chicago nunca teria me mostrado.
Que ele acorda antes do sol e fica bastante tempo na varanda, com um café nas mãos, olhando para o lago como se estivesse resolvendo alguma coisa mentalmente.
Que ele cozinha sem receita e tempera tudo no olho, mas fica visivelmente satisfeito quando como sem reclamar.
Que responde perguntas sem medir cada palavra. Que, às vezes, para no meio de uma frase apenas para me olhar, sem explicar o motivo.
Aprendi também que o silêncio dele aqui é diferente do silêncio dele em Chicago.
Lá, o silêncio fecha portas.
Aqui, parece deixá-las abertas.
E, de maneira assustadoramente fácil, estou começando a baixar as minhas defesas também.
Porque, desde que assinei esse contrato, não estou tentando descobrir como sobreviver aos próximos meses.
Estou vivendo um dia de cada vez.
O vapor ainda embaça o espelho quando termino de me vestir.
Quando olho pela janela, percebo que minha soneca depois do almoço durou muito mais do que eu imaginava.
— Esses dias aqui estão me deixando mais preguiçosa que o normal — murmuro, saindo do quarto.
Desço as escadas, atravesso a sala e encontro Dante na varanda.
O notebook está aberto sobre a mesinha à sua frente, uma xícara de café esquecida ao lado e o celular encostado ao ouvido.
— Não. Quero o relatório completo antes das dezoito horas — diz, calmo, mas frio.
O CEO voltou por alguns minutos.
Em silêncio, encosto no batente da porta, sem interrompê-lo.
— Não me interessa o que o conselho acha razoável. Resolva.
Ele desliga alguns segundos depois, passa a mão pelo rosto e só então percebe que estou aqui.
Seu rosto se suaviza, e ele sorri com aquela tranquilidade que descobri existir longe de Chicago.
Ainda não me acostumei com a velocidade com que ele consegue mudar.
— Você acordou — diz, deixando o celular sobre a mesinha.
— Pelo visto, dormi mais do que pretendia.
Dante olha rapidamente para o relógio.
— Duas horas e vinte minutos.
Arregalo os olhos, surpresa por ele cronometrar o tempo que passei no meu quarto, mas não comento.
Caminho até a varanda e me sento na cadeira ao lado dele.
O lago continua exatamente como antes: tranquilo demais para combinar com a quantidade de coisas que aconteceram nos últimos dias.
Dante me observa.
— Como você está se sentindo?
— Melhor — respondo, sincera.
Ele continua me olhando, esperando mais.
Suspiro.
— De verdade. Acho que… eu precisava disso — continuo, olhando para o lago. — Precisava desse lugar. Ficar longe de tudo.
Dante assente e apoia os braços na cadeira, olhando para o mesmo ponto que eu.
Por algum tempo, ficamos em silêncio, observando a vista e aproveitando a tranquilidade, como se nada mais existisse fora daqui.
Até que Dante se levanta e estende a mão na minha direção.
— Vem comigo.
Viro o rosto para ele.
— Para onde?
— Quero te mostrar um lugar.
Observo sua mão por alguns segundos antes de segurá-la.
Ele entrelaça os dedos aos meus, e começamos a descer os degraus da varanda.

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