Por um segundo, simplesmente esqueço como responder.
A forma como ele me olha faz meu coração acelerar de um jeito que não tem absolutamente nada a ver com a gravidez.
— Você sabe que essa frase pode ser interpretada de maneiras bem diferentes, né? — pergunto, tentando disfarçar.
— Sei.
— E fez isso de propósito.
— Talvez.
Sinto minhas bochechas esquentarem e, imediatamente, começo a andar pela sala para que ele não perceba.
Ouço a risada baixa dele às minhas costas.
— Vou buscar as malas no carro.
Paro no meio do caminho e viro o rosto.
— Malas?
Dante arqueia uma sobrancelha, como se a surpresa fosse completamente injustificada.
— Elena preparou tudo antes de sairmos do hospital.
— E eu aqui preocupada porque não tinha trazido nem uma escova de dentes.
— Você realmente acha que eu traria você para passar alguns dias aqui sem pensar nisso?
Ele dá um passo em direção à porta, mas para antes de sair.
— Apesar de a ideia de ver você passeando nua pela casa ser irresistível… à noite faz frio aqui.
Reviro os olhos no mesmo instante.
— Você não perde uma oportunidade, não é?
— Seria um desperdício.
Rio baixinho, balançando a cabeça.
— Vai buscar as malas, Dante.
Ele sai pela porta, me deixando sozinha na sala.
Solto o ar devagar e volto a olhar ao redor. Depois, caminho sem pressa até as janelas.
A vista é ainda mais bonita de perto.
O lago reflete o céu azul, enquanto o vento espalha pequenas ondas pela superfície da água.
— Conhecer a casa não deve ser errado, né? — sussurro, me afastando da janela.
Começo a caminhar pela casa devagar, observando cada canto sem pressa.
Depois, passo pela biblioteca, com estantes enormes, e depois subo as escadas.
No segundo andar, encontro três quartos, todos com janelas amplas e a mesma vista tranquila para o lago.
O quarto principal é o mais bonito, com uma cama enorme, uma lareira de pedra e portas de vidro que dão acesso a uma varanda privativa.
— Dante tinha razão… — murmuro, sorrindo sem perceber. — É impossível chegar aqui e continuar pensando no caos que ficou em Chicago.
Fico parada na varanda por alguns minutos, apenas aproveitando o vento que bagunça meus cabelos.
Decido descer quando meu estômago ronca. Assim que chego ao fim da escada, um cheiro delicioso desperta ainda mais minha fome.
Sigo o aroma até a cozinha e encontro Dante cortando legumes sobre a bancada, enquanto alguma coisa ferve no fogão.
Apoio os cotovelos na ilha da cozinha e me sento em um dos bancos altos.
— Então… — digo, quebrando o silêncio. — O que exatamente o nosso CEO está aprontando?
— Seu almoço.
Dante coloca a tampa na panela e finalmente me olha.
— Achei que, depois do café da manhã, você já tivesse entendido que, pelos próximos dias, minha principal função será garantir que você coma direito.
— Então, o presidente do Grupo Ferretti tirou férias para virar cozinheiro?
— Temporariamente.
— Que sorte a minha… — murmuro, roubando uma azeitona.
Dante estreita os olhos, mas não reclama.

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