Dante volta antes que Valentina possa responder, com a camisa ainda úmida, mas arrumada o suficiente para não chamar atenção.
A expressão dela muda na hora, voltando àquela doçura que parece existir exclusivamente para ele.
— Conseguiu resolver? — Ela pergunta, sorrindo.
— O suficiente — responde, pegando a taça de água.
Ele dá um gole enquanto me observa atentamente, como se percebesse que algo aconteceu enquanto ele estava fora.
— Está tudo bem? — pergunta, baixo o suficiente para que só eu ouça.
Assinto, sem confiar na minha voz agora.
O garçom traz nossos pratos, e o clima fica mais leve.
Enquanto comemos, Valentina fala sobre a estratégia de comunicação para a Whitmore, sobre prazos que eu não conheço e nomes que nunca ouvi. Dante responde quando precisa, mas sem se alongar.
Permaneço em silêncio o tempo todo.
Não porque não tenho o que dizer. Mas, porque simplesmente não há espaço para mim nessa conversa, e forçar uma entrada seria exatamente o que ela quer.
Quando o almoço acaba e pagamos a conta, Valentina coloca o guardanapo sobre a mesa e se levanta devagar.
— Bem, obrigada pelo almoço, mas preciso ir — diz, ajeitando o vestido. — Tenho algumas ligações para fazer antes de amanhã.
Dante assente em silêncio, se levantando. Ela contorna a mesa e o beija nas duas bochechas. Depois, me olha uma última vez, sorrindo.
— Foi um prazer conversar com você, Amy. Espero que a gente se veja mais.
— Com certeza vamos — respondo, sorrindo de volta.
Valentina se afasta sem pressa, e fico observando até ela sumir entre as mesas.
Dante se vira para mim.
— Pronta para ir?
— Sim — respondo, pegando minha bolsa.
Ele puxa a cadeira para mim, e seguimos para a saída, onde o manobrista traz o carro pouco depois.
A viagem de volta é silenciosa.
Dante dirige com atenção, os dedos relaxados sobre o volante e os olhos na estrada. De vez em quando, sinto o olhar dele na minha direção, mas não olho de volta.
Fico olhando pela janela, onde a cidade passa, indiferente.
Ele não tenta puxar assunto, mas também não para de olhar.
Quando chegamos à cobertura, o silêncio que, durante a manhã, parecia bom, agora parece pesado.
Jogo a bolsa no sofá e vou direto para a cozinha pegar água, só para não ficar perto dele.
— Amy — Dante chama, parando na porta da cozinha. — Está bem?
Abro a geladeira, pego a garrafa de água e encho um copo.
— Estou — respondo, sem me virar.
— Amy.
Fecho os olhos por um instante.
O jeito como ele fala meu nome deixa claro que não acredita em uma única palavra.
Bebo um gole de água antes de me virar.
— Eu disse que estou bem.

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