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Contrato Proibido Com o Tio do Meu Ex romance Capítulo 53

Por um segundo, só consigo encarar a pessoa, sem acreditar que isso realmente está acontecendo.

Valentina está mesmo no corredor, usando um vestido azul, cabelos soltos e maquiagem perfeita.

Arrumada demais para uma manhã de domingo que, para o resto do mundo, significa pijama e preguiça.

Para ela, aparentemente, significa outra coisa.

— Amy, que prazer em te ver — diz, como se fôssemos velhas amigas.

— Oi, Valentina — respondo, mantendo a voz neutra. — Que surpresa.

— Ontem quase não tivemos tempo de conversar direito — fala, inclinando a cabeça. — Se bem que, do jeito que Dante surpreendeu a todos no evento, é claro que não teríamos tempo para isso.

Ela mantém o sorriso, me olhando de cima a baixo rapidamente.

— Quem imaginaria que você seria a senhora Ferretti, não é? Dante realmente soube esconder muito bem.

— Ele é discreto — respondo, me encostando no batente.

Valentina ri baixinho.

— Bem discreto. Conheço esse lado dele.

“Tenho certeza que sim”, penso, mas não me atrevo a comentar em voz alta.

— Ele está? — Ela continua, finalmente chegando ao ponto.

A encaro por dois segundos. Por fim, a educação vence.

— Sim. Ele está na sala.

Me afasto para deixá-la passar, a contragosto, porque não tenho alternativa civilizada que não me faça parecer insegura.

Valentina entra na cobertura e vai direto para a sala, como se a casa lhe pertencesse.

Dante se levanta do sofá quando a vê, sem pressa, e o sorriso fácil que esboça faz meu peito apertar um pouco.

— Valentina? — diz, franzindo as sobrancelhas.

Ela sorri e, dessa vez, o sorriso parece mais natural.

— Ciao, Dante.

— O que está fazendo aqui?

— Estava por perto e resolvi aparecer. Pensei em te chamar para almoçar.

Dante passa a mão na nuca por um instante.

— Você devia ter avisado.

— Achei que uma surpresa seria mais interessante.

Continuo parada onde estou, sem saber se participo da conversa ou se virei um móvel da decoração.

Dante olha para mim.

— Amy, você…

— Pode ir — interrompo, antes que ele termine. — Eu… peço um delivery.

Ele me observa por um momento, como se estivesse tentando entender por que eu disse isso.

— Eu ia dizer para você se arrumar para ir com a gente.

Arqueio as sobrancelhas, surpresa, e desvio os olhos para Valentina.

O sorriso, antes tão fácil, agora parece congelar por um instante. Mas ela se recompõe tão rápido que quase penso ter sido um delírio meu.

— Que ótima ideia — ela diz, virando para mim com a versão reconfigurada do sorriso. — Assim podemos nos conhecer melhor.

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