“Dante Ferretti”
Atravesso o salão cumprimentando pessoas cujos nomes mal me importo em lembrar, sorrindo o suficiente para parecer sincero.
E, enquanto cumpro essa obrigação social entediante, mas necessária, não desvio completamente a atenção de onde Amy está.
— Dante.
Reconheço a voz antes mesmo de me virar.
Valentina para ao meu lado, com uma taça de champanhe entre os dedos e um vestido vermelho que se destaca do restante do ambiente.
— Achei que tivesse desistido de aparecer — comento, ajeitando a lapela do paletó.
— E perder a chance de ver você fingir que gosta dessas festas? Nunca.
Ela dá um gole na bebida, observando o salão.
— Por falar nisso, onde está o Victor? Pensei que ele estaria aqui, te ajudando a sobreviver a essa multidão.
— Ainda na Itália. Acalmando os ânimos dos investidores.
— Então, se não fosse eu aqui, você estaria sozinho nessa cidade?
— Não exatamente — respondo, sem me alongar.
Valentina arqueia uma sobrancelha, mas não insiste. Em vez disso, olha para o relógio no pulso.
— O discurso é em breve, não é?
— Em poucos minutos.
— Sabe, estou curiosa para ver o que você pretende fazer no discurso. Principalmente depois de ontem à noite.
— Ontem à noite?
— Sim. Você não me chamaria até sua casa no meio da noite só para confirmar se algo pessoal poderia interferir no meu trabalho.
Ela gira a taça de champanhe entre os dedos.
— A menos que fosse algo realmente importante, certo?
— Você vai ver, como todo mundo.
Deixo-a ali, com a sobrancelha arqueada e mais perguntas do que respostas, e volto a circular pelo salão.
O barulho volta a preencher o espaço ao meu redor como se nada tivesse mudado.
Recebo apertos de mãos, sorrisos calculados e promessas de almoços que ninguém pretende cumprir depois da festa.
E, no meio disso tudo, mantenho os olhos nela sempre que possível.
Amy voltou a ficar com Paige. Mais relaxada agora, ou pelo menos tentando parecer. Isso já é suficiente.
Continuo andando.
Mais um cumprimento. Mais um nome irrelevante.
Até que alguém bem conhecido surge no meu caminho.
Juliet.
Minha irmã me encara como se já estivesse me esperando há algum tempo. Taça na mão e rosto sério demais para alguém que deveria estar apenas curtindo a festa.
— Finalmente — ela diz, cruzando os braços. — Achei que você ia passar a noite inteira fugindo de assunto sério.
— Estou trabalhando, Juliet.

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