"Amy Ferretti"
Quando a porta se abre, não preciso me virar para saber que é ele.
Continuo de frente para a janela, com o copo de água pela metade entre as mãos, e Chicago se estende lá embaixo como se o dia tivesse sido completamente normal.
Ouço os passos dele se aproximando e endireito a postura antes de me virar.
Passo os dedos rapidamente abaixo dos olhos, como se ainda houvesse algo para esconder, e me viro para encará-lo.
Dante para no meio da sala quando nossos olhares se encontram.
— Você está bem? — pergunto, baixo.
Ele inclina levemente a cabeça, como se a pergunta o tivesse surpreendido.
— Sou eu quem deveria estar perguntando isso, Amy. Você está melhor?
Balanço a cabeça de leve, confirmando. Seria mentira dizer que não estou melhor do que há alguns minutos.
O silêncio se instala por alguns segundos, até que finalmente quebro.
— Você não precisava ter ido atrás dele.
Dante não responde. Só vai até o bar no canto da sala e pega a garrafa de whisky sem pressa. Se serve uma dose, gira o copo uma vez entre os dedos e só então volta a me olhar.
— Precisava — ele responde, por fim. — Dylan precisava de um aviso.
Aperto o copo com um pouco mais de força, puxando o ar devagar.
— Eu não queria que você brigasse com sua família por minha causa.
— Isso não foi uma briga de família — murmura, dando um gole na bebida. — Foi um funcionário assediando outra funcionária dentro da empresa.
— Mesmo assim…
— Amy.
A forma como ele diz meu nome me faz calar.
— O que aconteceu naquele corredor nunca deveria ter acontecido. Especialmente enquanto eu for responsável por esta empresa.
Fico em silêncio.
Porque parte de mim acredita nele. A outra ainda está tentando acreditar que alguém realmente ficou do meu lado.
Dante observa meu rosto por um instante.
— Ele não vai mais incomodar você.
Assinto de novo, observando-o enquanto ele se afasta do bar e se senta no sofá. Por um momento, permaneço parada.
Mas quando ele b**e levemente ao lado dele, com aquele olhar que não permite argumentos, me aproximo e me sento também.
Por um instante, nenhum dos dois fala.
Ele toma mais um gole, enquanto eu encaro o chão.
— Desculpa pela confusão — murmuro, ainda sem olhar para ele. — Não era para ter chegado a esse ponto.
— Você não causou confusão nenhuma.
— Dante…
— Foi o Dylan — ele corta, baixo, mas firme. — Pare de aceitar culpas que não são suas.
Olho para ele por um instante. Depois concordo com a cabeça, em silêncio.
Ele apoia o copo sobre o joelho, sem desviar os olhos de mim.
— A Dra. Caldwell disse que os bebês estão bem.

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