O corredor parece menor do que deveria. O ar parece sumir.
Dylan continua segurando a ultrassonografia, sem desviar os olhos de mim.
— Gêmeos… — ele repete e então ri, curto, sem humor. — Você sempre foi boa em surpreender, mas dessa vez se superou, Amy.
Estendo a mão para pegar a imagem, mas ele recua um passo, mantendo o papel entre os dedos.
— Dylan. Devolve.
Ele vira a imagem para si e a examina como se fosse um contrato que precisa revisar.
— Então é por isso que você me superou tão rápido. Que não fez questão de correr atrás de mim. Porque você já estava com outro entre as duas…
— Cala a boca — corto, sem me importar com o tom de voz. — Isso não é da sua conta!
Ele solta uma risada curta e volta a me olhar.
— Claro que não. Mas preciso admitir, Amy. Subestimei bastante você.
Algumas pessoas param no corredor. Duas assistentes fingem mexer no celular. Um dos analistas do financeiro desacelera o passo.
De repente, é como se eu voltasse no tempo. Para aquela noite em que tudo desmoronou.
— Devolve isso e segue sua vida, Dylan.
— Só estou tentando entender o raciocínio — diz, fingindo pensar. — Mas não preciso me esforçar para entender que você resolveu seus problemas do jeito mais eficiente possível.
Silêncio.
Por um segundo, ninguém respira. Ninguém finge mais estar fazendo outra coisa.
— Que estratégia inteligente, né? — ele continua, com o sorriso que sempre antecede o pior. — Engravidar para não perder. Clássico.
Sinto o calor subir pelo pescoço, e a raiva me invade rápido.
— Você não tem direito nenhum de falar nada sobre mim.
— Eu não tenho? — Dylan abre os braços, como se fosse óbvio. — Você era virgem quando namorava comigo. Agora aparece grávida e quer que eu pense o quê?
— Que eu segui minha vida.
— Seguiu? — rebate, rindo de novo. — Ou só foi mais esperta do que foi comigo?
— Chega.
A voz de Dante ecoa, fria e controlada, com aquela autoridade que não precisa de volume para fazer todos se calarem.
Dylan desvia o olhar para o tio e, pela primeira vez desde que começou esse espetáculo, o sorriso some.
Dante para ao meu lado, sem me tocar, sem me olhar. Os olhos não se desviam do sobrinho.
— Devolva isso à Srta. Donovan.
Dylan hesita por um segundo. Depois estende a imagem na minha direção, sem tirar os olhos do tio.
Pego a ultrassonografia rápido, como se ela pudesse me proteger do resto da cena. Minha mão treme levemente quando guardo o papel na bolsa.
Ainda assim, ninguém se move. O corredor inteiro parece preso no lugar.
Dante continua ao meu lado. Imóvel.
A postura reta, o rosto fechado, a expressão que não entrega absolutamente nada. Mas conheço o suficiente para saber que aquilo não é calma.
É controle.
— Isso aqui não vai se repetir — ele diz, com a voz baixa, mas firme o bastante para cortar o ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato Proibido Com o Tio do Meu Ex