O elevador sobe enquanto permanecemos em silêncio.
Fico olhando para os números mudando no painel, com a bolsa apertada contra o corpo e a cabeça ainda cheia de tudo o que não devia estar.
Dante está ao meu lado, mas sua presença faz parecer que ele está do outro lado da cidade.
Quando as portas se abrem, entramos na cobertura.
Dante solta as chaves sobre o aparador sem olhar para mim e afrouxa o nó da gravata com um único movimento.
— Boa noite, Amy.
Ele segue direto para o escritório sem dizer mais nada.
Fico parada no meio da sala por alguns segundos.
É isso.
Um jantar, uma sala privada, meu corpo inteiro tremendo nos braços dele… e um “boa noite” de quem acabou de encerrar uma reunião.
Sigo para o meu quarto, fecho a porta devagar e sento na beirada da cama, respirando fundo.
Ainda consigo sentir os dedos dele. A voz baixa junto ao meu ouvido. E, claro, a forma como me olhou antes de responder que não, que nada havia mudado.
— Como fui idiota — resmungo, passando a mão pelos cabelos.
Não pela primeira vez, e provavelmente não pela última.
Fui porque quis, porque Dante não mentiu em momento nenhum. Ele foi honesto, como sempre foi.
Só que a honestidade, às vezes, dói de um jeito que a crueldade não consegue.
Levanto e começo a me trocar devagar, forçando minha cabeça a pensar em vez de sentir.
— Essa foi a última vez — murmuro, determinada.
Dante pode comandar meu corpo, mas não comanda meu coração. E é exatamente por isso que preciso parar enquanto ainda dá tempo.
Me deito, apago a luz e fico olhando para o teto até o sono finalmente chegar.
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Quando chego à Whitmore, percebo a diferença antes mesmo de chegar à minha mesa.
Os olhares que antes vinham na minha direção simplesmente sumiram. Todos parecem ocupados demais cochichando entre si.
Pelo visto, os rumores sobre a esposa secreta cresceram.
Assim que me sento, Paige aparece na minha mesa, fingindo organizar os papéis que tem nas mãos.
— Bom dia — digo, ligando o computador.
— Bom dia — responde, sorrindo. — Você perdeu o episódio da manhã.
— Que episódio?
— Da novela das oito da Whitmore, claro.
Franzo a testa.
— O que aconteceu?
— Durante a noite, alguém postou no grupo interno que o Sr. Ferretti voltou de Milão acompanhado.
Imediatamente, levanto os olhos para ela.
— Acompanhado de quem?
— Da esposa. Essa pessoa disse que conhece um paparazzo que conhece outro paparazzo que fotografou os dois descendo do jatinho. E que o Sr. Ferretti pagou um dinheirão para ele apagar tudo.
Sinto meu estômago embrulhar, e não tem nada a ver com a gravidez.
— Espera, que a melhor parte ainda não chegou — ela continua, alheia ao meu incômodo.
— Estou com medo de perguntar.

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