Volto a encarar a tela e não consigo desviar os olhos dos dois pontinhos piscando.
— Agora vamos ouvir os coraçõezinhos — a médica continua, ajustando o volume.
O som que preenche a sala é o tipo de coisa que não tem como descrever direito. É daqueles sons que você simplesmente… deseja ouvir para sempre.
Dois corações minúsculos, acelerados, batendo em um ritmo que parece impossível para algo tão pequeno.
— São dois — murmuro, sentindo minha voz embargar. — Dois… bebezinhos.
A médica continua explicando algo sobre placenta, sobre esse tipo de gravidez exigir mais atenção…
Ouço tudo o que ela diz, mas não consigo processar nada.
Quando terminamos o exame, a Dra. Caldwell me entrega um envelope com as imagens do ultrassom. Depois, nos sentamos à mesa, e ela lista todas as recomendações: vitaminas, retorno, cuidados…
— O acompanhamento será mais frequente do que em uma gestação comum. Quero vê-la a cada duas semanas nas próximas consultas.
Assinto sem dizer nada.
Quando a médica termina, Dante se levanta primeiro.
— Obrigado pelo seu tempo, doutora.
Ela assente, sorrindo, como se fosse completamente normal fechar uma clínica inteira em plena quarta-feira. Depois, se despede de mim.
Guardo o envelope na bolsa e sigo atrás de Dante pelo corredor vazio.
A recepcionista nos acompanha até a saída e, assim que passamos pela porta, o frio de Chicago nos recebe.
Jake está esperando encostado no carro e imediatamente se endireita quando nos vê.
Dante vai até ele e os dois trocam algumas palavras que não consigo ouvir. Depois, entramos no carro sem comentar nada sobre o que acabou de acontecer naquela sala.
Fico olhando para o banco à minha frente.
O silêncio dura três quarteirões antes de eu virar o rosto na direção dele.
— Você não… vai falar nada? — pergunto, incomodada.
Dante abaixa o celular e me encara.
— O que você quer que eu diga, Amy?
Abro a boca, mas hesito.
Porque, honestamente, eu também não sei. Só quero que ele demonstre alguma coisa.
Quero ter certeza de que não sou a única pessoa abalada pelo fato de que, além de descobrir uma gravidez que não estava nos nossos planos… agora existem dois bebês.
Quando permaneço em silêncio, Dante simplesmente volta a olhar para o celular, encerrando o assunto.
Suspiro e desvio o olhar para a janela.
O carro segue por alguns minutos antes de parar. Mas, ao contrário do que pensei, não é a cobertura.
É um lugar completamente diferente, com uma placa pequena na entrada.
— Isso não é a cobertura.
— Não é — Dante confirma, abrindo a porta.
— O que estamos fazendo aqui?
— Resolvendo a última coisa pendente.
— Agora?
Ele desce do carro, me olha pela porta aberta e estende a mão.
— Tem algum motivo para adiar?

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