Valéria:
Acordei às 6 da manhã e tomei um longo banho. A água quente escorria pelo meu corpo, mas não conseguia lavar as memórias da noite passada. A noite passada não sai da minha cabeça e meu corpo inteiro ainda sente os toques famintos, seis mãos alisando todo o meu corpo simultaneamente, me deixando à beira de um abismo. Fechei os olhos debaixo do chuveiro e revivi cada segundo: a língua de Dante, os dedos de Enrico, a boca de Lucca. Meu corpo respondeu imediatamente, um calor úmido entre as pernas.
— Droga, sua burra, porque não subiu com eles, já que tinha ficado praticamente nua, chupado três longos e grossos paus, que até agora me deixam com água na boca. – Penso em voz alta, a frustração ecoando nas paredes do box.
— Burra, burra, burra...
Desligo o chuveiro com violência, como se pudesse silenciar meus pensamentos. Enrolo a toalha no corpo e vou até o quarto, o vapor me acompanhando. Agora é tarde, não volto mais naquela boate, não é pro meu bico. Ainda mais os chefes sendo os donos, já imaginou se eles me pegam fodendo três clientes vips da boate? Estou lascada.
De repente, uma bomba cai sobre minha cabeça. A imagem surge do nada, nítida e cruel.
— Drogaaaaaa, as câmeras do elevador! Ai, meu Deus, os seguranças viram a pouca vergonha no elevador, eu chupando e sendo chupada por três homens. Ai, meu senhor, agora sim, que nunca mais ponho os pés lá.
Sento na cama, o peso do desespero me comprimindo. Que vergonha. Meu rosto queima só de imaginar. E se eles vazarem o vídeo? E se alguém reconhecer? Minha carreira, minha reputação...
Sua tonta, agora não é hora de surtar, não vale a pena chorar pelo leite derramado. Respiro fundo, forçando a calma. O que está feito, está feito.
Tentei ligar várias vezes pra Cami e até agora nada. O telefone mudo, sem respostas. Resolvo mandar uma mensagem, os dedos voando na tela.
Valéria: Sua vaca, onde se meteu? Tô desde ontem tentando falar contigo.
Valéria: Me liga assim que der, tô me arrumando pra ir na entrevista de emprego.
Valéria: E, se der, descubra quem são os três gostosos irmãos do seu boy magia!
Valéria: Quero todos os detalhes de ontem à noite kkkkk
Deixo o telefone de lado e vou ao closet ver o vestido que deixei sem embalar exatamente pra essa ocasião, minha entrevista de emprego. A oportunidade que pode mudar minha vida. Passo a mão nos tecidos, avaliando cada opção.
Optei por um vestido preto colado ao corpo na altura do joelho, um scarpin preto. Nada muito ousado, mas que valorizasse minhas curvas sem parecer vulgar. Profissional, mas com personalidade. Passei apenas um rímel e um hidratante labial, um creme de pele suave com um cheirinho de morango que adoro. Nada de exageros. Quero que olhem para mim, não para minha maquiagem.
Saí por volta de 6:40. Do meu apartamento até a empresa demorava uns 40 minutos indo de metrô. Desci na estação e peguei um táxi. Não dava pra chegar toda suada à entrevista de emprego e, da estação até a empresa, eram uns três quarteirões. O ar da manhã era fresco, mas meus nervos estavam em brasa.
O prédio era suntuoso. Parei na calçada por um instante, olhando para cima, para os andares que se perdiam no céu. Vidros espelhados, linhas modernas, uma imponência que intimidava. Na recepção, uma moça que se chamava Renata me indicou o andar que deveria ir e disse que já estava sendo aguardada. Seu sorriso era profissional, mas acolhedor.
Peguei o elevador até o trigésimo-quinto andar e lá encontrei com Estela, que me aguardava. O coração batia acelerado, mas eu tentava manter a compostura.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Luxúria - A Virgem