A tarde estava tranquila na mansão. Aurora havia acabado de acordar de um cochilo e agora estava deitada no tapete de atividades, mexendo os bracinhos e as perninhas de forma descoordenada, soltando sons baixinhos enquanto olhava para o móbile colorido acima dela.
Heitor e Sophia estavam sentados no chão ao lado, observando a filha. O sol da tarde entrava pela janela.
— Vocês me trazem uma sensação de que enfim eu tenho uma família que eu possa confiar. — disse Heitor, tocando levemente a mão dela.
Sophia sentiu um aperto no peito. Olhou para os dedos dele sobre os seus e respondeu com um suspiro baixo.
— Sim... eu também sinto isso.
Heitor sorriu, olhando para Aurora.
— Já percebeu que ela está cada dia mais parecida com você? É estranho. Até o verde dos olhos... eu achava que era difícil encontrar essa cor em alguém.
Sophia ficou nervosa. Seu coração acelerou e ela tentou encontrar uma justificativa cabível quando o celular vibrou sobre a mesinha. Era Hugo.
Ela abriu a mensagem rapidamente, querendo encerrar o assunto antes que a verdade escapasse.
Assim que viu a foto, seu corpo congelou. Hugo havia enviado uma imagem de Arthur beijando uma mulher loira em um bar que ele costuma frequentar. O mesmo rosto de Heitor. Os mesmos traços. Mas a expressão era completamente diferente, mais fria, mais predatória.
Sophia olhou para a foto por longos segundos. Depois virou o rosto para Heitor, que agora tinha Aurora no colo. Ele balançava a bebê com cuidado, falando baixinho com ela, fazendo-a soltar gritinhos felizes.
Sophia balançou a cabeça devagar e soltou uma risada quase incrédula.
— Como eu pude confundir os dois... — murmurou quase inaudível.
Heitor ergueu o olhar ao ouvir a risada dela.
— O que foi? — perguntou, curioso, mas com um tom levemente desconfiado. Ele sabia que a mensagem era de Hugo, sempre que o celular dela tocava, era ele. O ciúme já começava a queimar em seu peito.
Sophia trancou a tela do celular e deu de ombros, com um sorriso pequeno e provocador nos lábios.
— Nada demais. Hugo só mandou mensagem perguntando como eu estava.
Heitor estreitou os olhos.
— E você ri assim por causa de uma simples preocupação?
Ela se levantou devagar, ainda com o sorriso brincando nos lábios, e caminhou até a porta do quarto. Antes de sair, virou-se para ele com uma expressão inocente demais para ser verdadeira.
— É uma mensagem bem carinhoso... — provocou, piscando uma vez.
Heitor ficou sentado, segurando Aurora, o maxilar travado e os olhos flamejando de ciúme.
— Sua babá está brincando com fogo... — murmurou ele baixinho, quando Sophia já havia saído do quarto.
Do corredor, Sophia encostou-se na parede e soltou uma risada silenciosa, cobrindo a boca com a mão. Ver Heitor enciumado era estranhamente satisfatório.
Ela olhou novamente para a foto que Hugo havia enviado e suspirou.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário