Heitor entrou no banheiro da suíte principal e ligou o chuveiro. A água quente caiu forte sobre seus ombros, escorrendo pelos músculos tensos das costas e do peito. Ele apoiou as duas mãos na parede de mármore escuro, deixando a cabeça cair para frente enquanto a água castigava sua nuca.
Quando fechou os olhos a imagem de Sophia invadiu sua mente dividida entre a noite passada e do primeiro beijo deles no dia do baile. O jeito como ela havia correspondido ao beijo. A forma como seus lábios macios se abriram para ele. O gemido baixo que escapou dela quando ele aprofundou o beijo.
A lembrança foi como um fósforo aceso.
Heitor sentiu o corpo reagir sem esforço. Um calor intenso subiu pela espinha, concentrando-se na virilha. Ele soltou um suspiro rouco, quase um rosnado baixo, enquanto a água continuava caindo sobre ele, escorrendo pelos sulcos definidos do abdômen e descendo mais abaixo.
— Porra, Sophia... — murmurou contra a parede, a voz grave e carregada de desejo.
Ele podia sentir o gosto dela ainda na boca. Podia lembrar da sensação dos dedos dela entrelaçados em seus cabelos, puxando-o mais perto. O corpo dele endureceu completamente, latejando de necessidade. A água quente só piorava tudo, tornando cada sensação mais intensa, mais viva.
Heitor passou a mão pelo rosto, tentando controlar a respiração pesada. Mas era inútil. Cada gota que escorria pela sua pele parecia ser o toque dela. Cada memória do beijo o incendiava por dentro.
Ele abriu os olhos, o olhar escurecido de desejo e frustração.
— Já entendi que vai ser cada vez mais difícil manter o controle... — murmurou para si mesmo, a voz baixa e rouca.
Enquanto isso Sophia terminou de dar banho em Aurora e a colocou no berço, vestida com um macacão macio. A bebê, exausta após tomar seu leite, adormeceu rapidamente. Sophia ficou de pé ao lado do berço por alguns minutos, observando o rostinho sereno da filha, tentando acalmar os próprios pensamentos.
Ela caminhou até a grande janela do quarto e ficou olhando para o jardim da mansão, os braços cruzados sobre o peito. A mente ainda girava com tudo que aconteceu.
— Será que estou fazendo certo em não falar a verdade... — murmurou para si mesma.
A porta do quarto se abriu devagar. Sophia não precisou virar para saber quem era. Os passos eram calmos, deliberados. Heitor entrou e o cheiro fresco de seu sabonete e shampoo invadiu o quarto.
Ele parou atrás dela. Por um momento, apenas ficou ali, observando-a. Então, lentamente, envolveu a cintura dela com os braços, puxando-a contra o peito. Sophia soltou um suspiro baixo, mas não se afastou.
Ela virou o rosto ligeiramente para o lado. Heitor baixou a cabeça, encostando o nariz na curva do pescoço dela.
— Está disposta a recuperar o tempo perdido? — perguntou ele, a voz baixa e rouca contra sua pele.
Sophia hesitou. O corpo dela reagia ao dele de forma traiçoeira, mas a mente ainda estava cheia de dúvidas.
— Heitor... — murmurou ela, virando-se parcialmente nos braços dele para encará-lo. — Você está pronto para me explicar o que realmente aconteceu anos atrás? Onde está a pessoa que me machucou naquela noite? E por que você assumiu a culpa no lugar dele?
Heitor suspirou, apertando levemente a cintura dela. Seus olhos escureceram.
— Eu preciso de mais uma semana, Sophia. Só uma semana pra organizar tudo e te contar da forma certa. Eu prometo que você vai saber de tudo.
Sophia ficou séria. A frustração era visível em seu rosto.
— E enquanto isso? — perguntou ela, mantendo o tom firme. — Vamos continuar como se nada tivesse acontecido? Já não passou tempo suficiente para resolver esse assunto para poder ser sincero não só comigo, mas com você também?
— Eu sei que é difícil de entender. Estava tudo sobre controle, mas você voltou para minha vida e as coisas voltaram a ficar complicadas. Não é somente nós que estamos no meio dessa teia de manipulações, tem pessoas que podem se machucar novamente... por minha causa.
Sophia ergueu mais a cabeça olhando para ele com atenção.


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