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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 69

Marcelo sentiu o chão desaparecer sob os pés. Não foi o tom de voz de Kethelyn. Foi a frase. Aquela frase específica, que o machuca, tortura.

— Você está me ameaçando?— perguntou, mantendo a voz firme demais para alguém que estava despencando por dentro.

— Sim, Marcelo. Você acha que está sendo fácil para mim?— Kethelyn falou com a voz fraca.— Tudo que lembro foi que antes de fechar os olhos naquele maldito dia, você ainda era o meu noivo. Não importava quantas vezes você dizia que queria terminar, sempre ficávamos juntos no final...— ela fez uma breve pausa.— Quando abri meus olhos não imaginei que o preço de acordar seria te perder para outra pessoa. Eu já estive morta por 6 anos, amor, viver sem você... não faz o menor sentido.

As palavras atravessaram a mente dele como um golpe direto. Uma imagem antiga, que ele tentou apagar por anos, voltou sem pedir licença, sua mãe perdendo a vida diante dos seus olhos sem ele poder fazer nada para ajudar.

Ele soltou a mão dela, seus ombros caíram em derrota.

— Não se brinca com isso, Kethelyn. — disse, num tom firme. — Usar o suicídio é baixo. Você sabe bem o que eu sinto em relação a isso.

Kethelyn respirou fundo, os olhos cheios de lágrimas, o olhar fixo no teto.

— Eu não estou brincando, Marcelo. — murmurou. — No momento em que fiquei sabendo que perdi os movimentos das pernas... já estava querendo morrer. Só não fiz nada porque pensei que você ainda estivesse me esperando, que de alguma forma seríamos felizes juntos.

Ele passou a mão pelo rosto, sentindo o suor frio escorrer pela nuca.

Katherine, que até então observava em silêncio, deu um passo à frente.

— Para você está muito cômodo, não é? — disse, a voz controlada. — Você acha que é fácil pra mim ver minha irmã assim? Presa numa cama, dependendo de tudo, sem perspectiva nenhuma? Com medo do que pode acontecer.

Marcelo ergueu o olhar para ela, os olhos escurecidos.

— Isso não é responsabilidade minha. — respondeu, com dificuldade. — E você sabe disso.

— Eu sei que você prefere acreditar nisso. — Katherine rebateu. — Mas o fato é que ela só está aqui porque foi atrás de você. Porque você era o alvo.

— Para. — ele pediu, a voz alterando.— Para de colocar isso nas minhas costas.

Kethelyn virou o rosto lentamente, encarando-o outra vez.

— Eu não estou te culpando. — disse, com doçura ensaiada. — Eu só estou dizendo que… sem você, eu não vejo sentido em continuar.

Marcelo fechou os olhos por um instante. Quando abriu, havia algo quebrado ali.

— Eu não posso ficar com você. — disse, enfim. — Não desse jeito. Não como você está pedindo.

Kethelyn inspirou fundo, como se já esperasse por aquilo.

— Então você vai me abandonar. — constatou, sem acusação direta.

— Não. — ele respondeu rápido demais. — Eu não vou te abandonar. Já disse que vou garantir que você tenha tudo o que precisa. Médicos, enfermeira, tratamento, adaptação. Se a casa da sua mãe não for adequada, eu compro outra. Onde você quiser. Mas isso… — fez um gesto vago com a mão — isso não é certo.

Katherine riu sem humor.

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