O pedido de Kethelyn ficou suspenso no ar. Marcelo ainda segurava a mão dela quando percebeu algo mudar. Um peso insuportável se instalou no quarto. Ele ergueu o olhar quase por instinto.
Katherine estava encostada à porta. Ela não disse nada. Apenas olhou para a irmã. Kethelyn devolveu o olhar por um segundo longo demais. Um entendimento silencioso passou entre as duas.
Então Kethelyn respirou fundo.
— Você não precisa responder agora… — disse, com a voz fraca, quase quebrada. — Eu sei que tudo isso é demais. Que você esperou por mim todos esses anos... que os nossos planos de casar, ainda estão valendo.
Ela soltou a mão dele lentamente. Marcelo deu um passo para trás, esmagado pela sensação de culpa.
Kethelyn o observava com atenção. Não havia pressa. Ela sabia que o tempo jogava a favor dela.
— Kath… — chamou, com um fio de voz. — Você pode ficar mais um pouco? Eu não quero ficar sozinha.
Katherine se aproximou imediatamente.
— Claro, irmã. — respondeu, indo até a cama e ajeitando o travesseiro atrás da cabeça da irmã com cuidado exagerado. — Eu sempre estarei com você.
Ela lançou um olhar rápido para Marcelo.
— Marcelo… — Kethelyn chamou de novo.
Ele voltou a encará-la.
— Você lembra quando a gente planejava aquela viagem pra Toscana? — ela perguntou. — Eu fiquei meses pesquisando hotéis… para que nosso momento seja perfeito.
Ele sentiu um nó se formar na garganta, seu olhar endureceu.
— Onde você quer chegar?— perguntou.
— Quando acordei pensei que ia levantar da cama, reclamar da comida do hospital e ir embora com você. — ela continuou, a voz calma demais para o que dizia. — Mas… — fez uma pausa curta — meu corpo não respondeu, você não estava aqui, a primeira pessoa que eu vi foi justamente quem me deixou desse jeito.
O silêncio voltou a se espalhar. Marcelo lembrou do e-mail de Sabrina semanas antes.
— Os médicos disseram que talvez seja definitivo. — completou não dando espaço para ele falar.— Que eu preciso me preparar para uma vida diferente. Mas eu fiquei tranquila, pois eu sabia que tenho você.
Marcelo sentiu o peso daquelas palavras como se fossem empurradas contra o peito dele.
Katherine cruzou os braços.
— Uma vida que ela não escolheu. — disse, firme. — Uma vida que começou naquele dia por sua culpa.
Marcelo fechou os olhos por um segundo.
— Katherine… — advertiu.
— Não, Marcelo. — ela o interrompeu, o tom subindo levemente. — Agora você vai ouvir.
Ela deu dois passos à frente.

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