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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 54

O quarto permaneceu em silêncio depois que Marcelo terminou de falar. Não era um silêncio vazio. Era carregado de tudo o que ele não dizia em voz alta.

Milena ainda estava ali, envolta nos braços dele, sentindo o peso daquela revelação se acomodar dentro de si. A porta fechada por tantos anos que foi aberta somente para ela.

Ela não tentou preencher o espaço com palavras. Apenas ficou. Às vezes, estar presente era mais forte do que qualquer frase.

Marcelo respirou fundo, reorganizando seus sentimentos por dentro. Então se afastou um pouco, sem soltá-la completamente.

— Vamos sair daqui. — disse, baixo.

Milena assentiu. Ele entrelaçou os dedos aos dela e a conduziu para fora do quarto, fechando a porta com cuidado, quase com respeito. O corredor pareceu mais leve quando desceram as escadas.

No segundo andar, o corredor parecia outro mundo. Menos passado. Mais presente. Marcelo abriu a porta e entrou primeiro, puxando-a com ele.

Ele soltou a mão dela e começou a desabotoar a camisa, um gesto automático, cansado. Milena ficou parada, observando. O silêncio voltou, mas agora era diferente.

Ela respirou fundo e, para quebrar aquilo, falou:

— Achei que você não ia vir. — disse, aproximando-se. — Você sumiu por três dias… não atendeu minhas ligações... somente me mandava mensagens vazias.

Ele tirou a camisa dos ombros, jogando-a sobre a cama.

— Eu estive um pouco ocupado. Mas estou aqui, não estou?

Ela assentiu devagar. Ainda assim, algo incomodava.

— Você estava na universidade hoje? — perguntou, hesitante. — Foi você que expulsou aquelas garotas? O que aconteceu? Teve até polícia.

Marcelo apenas deu dois passos até ela e a puxou para si, envolvendo-a com firmeza.

— Me ligaram dizendo que você não estava bem. — disse, mudando de assunto.

Milena tentou sorrir. As mãos tremiam enquanto ela escondia melhor o papel dobrado dentro do bolso da camisola.

— Eles… eles ligaram? — perguntou, amedrontada.

Ele se afastou o suficiente para olhá-la de verdade. Os olhos dele se estreitaram no mesmo instante. Marcelo conhecia aquele olhar. Algo estava errado.

— Sim. — respondeu com calma controlada. — O que o médico disse? Tem algo que eu não sei? Foi mais que uma tontura?

Ela desviou o olhar por um segundo.

— Oh, isso… foi só isso. Só fiquei um pouco tonta, tive uma queda de pressão, mas já passou.

Marcelo franziu o cenho.

— Tonta? — a voz dele ganhou firmeza. — Você devia ter me ligado. Tem noção de como é horrível saber que minha mulher estava mal enquanto eu estava preso em uma reunião?

— Não foi nada, amor, de verdade. — ela se apressou, sem perceber o que falou. — O médico disse que eu só preciso descansar.

Ele sorriu por um instante, respirou fundo. O maxilar relaxou aos poucos. Marcelo passou a mão pelo rosto, tentando conter a preocupação.

— Você me assusta desse jeito. — murmurou.

Antes que ela pudesse responder, ele deu um passo à frente e a ergueu nos braços. Milena soltou um suspiro surpreso.

— Marcelo! — protestou, rindo baixinho.

— Silêncio. — murmurou ele, encostando o nariz no pescoço dela. — Você disse que estava cansada. Então eu vou cuidar de você.

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