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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 51

Marcelo não respondeu de imediato. O vídeo ainda rodava em looping na tela.

— Porque ela preferiu sofrer calada, ao invés de me falar. — disse por fim, a voz baixa demais. — E agora alguém vai ter que pagar o preço disso.

A voz de Marcelo estava baixa demais, o maxilar travou e dava para ver as veias do pescoço dele saltar.

Alan engoliu seco.

— O que você vai fazer?

Marcelo fechou o vídeo. A tela ficou preta.

— O que eu sempre faço quando mexem com o que é meu...

— Marcelo. Antes de ter um relacionamento com Milena você tem que se lembrar de quem você é no campus. Não haja de cabeça quente.

Marcelo levantou os olhos e o encarou. Não precisava falar muito. Alan sabia que ele iria fazer qualquer coisa para defender Milena.

Ele não voltou para casa naquela noite, nem na seguinte, nem na terceira.

A mansão parecia vazia, Milena tentou se convencer de que aquilo era apenas trabalho, mais uma crise, mais uma decisão que exigia distância. Mas o terceiro amanhecer sem notícias fez o peito apertar de um jeito que não aceitava mais desculpas.

Ela pegou o celular e ligou, uma vez, duas, três, até que alguém atendeu.

— Escritório De Valliére, bom dia.

Não era a voz de Marcelo.

Milena sentiu o estômago afundar.

— É… é a Milena, Noah. O Marcelo está?

Houve um breve silêncio do outro lado, profissional demais para ser casual.

— O senhor Marcelo está em reunião externa desde ontem. Ele pediu para não ser interrompido.

— Desde ontem… — ela repetiu, quase para si mesma. — Ele está bem? Eu precisava muito falar com ele.

— Está, sim, senhora. — o assistente responde com convicção. — Assim que possível, ele retorna o contato. Pediu para não procurá-lo. Espero que respeite isso.

A ligação foi encerrada antes que Milena pudesse dizer mais alguma coisa.

Ela ficou encarando a tela apagada, com a sensação desconfortável de que algo grande estava acontecendo longe demais dela.

Enquanto isso, a quilômetros dali, Marcelo não dormia. O hotel corporativo era silencioso, elegante, frio. O tipo de lugar onde decisões eram tomadas sem testemunhas. Ele estava de mangas arregaçadas, gravata jogada sobre a poltrona, celular vibrando sem parar sobre a mesa. Mas ele não atendia.

Na tela do notebook, contratos abertos. Nomes. Investimentos. Datas.

Katherine Bettencourt foi o primeiro golpe, sem aviso.

Marcelo entrou na sala de reuniões do estúdio de filmagens como se fosse dono do lugar, porque, em termos financeiros, ele era. Os executivos se levantaram quase por reflexo.

— Senhores. — ele disse, sem sorriso. — Vamos direto ao ponto.

Katherine estava sentada à mesa, impecável como sempre. Vestido claro, cabelo alinhado, sorriso confiante. Um sorriso que morreu no segundo em que os olhos dele encontraram os dela.

— Marcelo… — ela tentou. — Que surpresa.

— Para você, talvez. — ele respondeu, puxando a cadeira e sentando-se sem pedir licença. — Para mim, não.

Ele deslizou um envelope grosso pelo centro da mesa.

— Estou retirando todo o investimento do fundo De Valliére neste projeto.

Um murmúrio percorreu a sala, o diretor do estúdio pigarreou.

— Senhor De Valliére, isso representa quase sessenta por cento do orçamento…

— Representava. — Marcelo corrigiu, seco. — A partir de agora, não mais.

Katherine riu, nervosa.

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