Os olhos de Milena arderam. Ela apertou o celular contra o peito, tentando impedir que as palavras a deixasse ainda mais insegura, mas era tarde demais.
— Por que me persegue Katherine? — ela murmurou enquanto lia novamente a mensagem. — Até quando eu vou viver na sombra dessa mulher? Até quando o nome dela vai me destabilizar desse jeito?
Longe do caos que consumia Milena, estava Marcelo que empurrou a porta do escritório da universidade. Ele estava com o terno amassado pelo dia exaustivo na empresa do avô, o semblante duro como pedra.
Ele caminhou até a mesa e pousou as mãos sobre o tampo, encarando a mulher que se encolhia diante dele.
— As gravações estão prontas? — perguntou, sem rodeios.
A substituta temporária da sua secretária ergueu os olhos rápidos, assustados. As mãos trêmulas apertavam a prancheta contra o peito.
— S-sim, senhor De Valliére… mas… eu queria entender por que o senhor pediu todas as câmeras da semana inteira…
Marcelo ergueu uma sobrancelha, analisou cada tremor sutil que ela dava. O silêncio que se espalhou entre eles era pesado demais.
— Desde quando precisar dar justificativa para ver o que é meu?— perguntou com a calma cortante de quem não precisava repetir.
A mulher empalideceu, engolindo seco.
— Claro… mil desculpas, senhor… eu só…
— Basta. — O tom grave e cortante encerrou a conversa.— Pode sair!
Ela deu dois passos para trás, tropeçando no próprio salto. Foi quando a porta se abriu novamente. Alan entrou, tirando os óculos e massageando a testa.
— Você me chamou com urgência, De Valliére… Aconteceu alguma?
— Senta. — Marcelo não esperou o fim da frase. — Precisamos trabalhar.
A secretária substituta desapareceu rápido demais, como se fugir daquele escritório fosse uma questão de sobrevivência.
Alan arqueou uma sobrancelha.
— Que estranho. Isso não parece boa coisa. Cadê a senhora Goulart?
Marcelo passou a mão no cabelo e soltou um suspiro carregado de irritação e preocupação.
— Machucou o pé. Te chamei aqui porque eu preciso saber o que está acontecendo com Milena.
Alan estreitou os olhos e enfim entendeu o que o amigo estava tão tenso.
— Milena. Claro...
— Não estou para brincadeiras Alan. Já tem dias que percebo que ela está com os olhos inchados de chorar. Com a saúde do senhor Álvaro eu investiguei e não é. No hospital ela sempre está comigo, tenho todas as informações necessárias quando ela está lá. Então só pode ser aqui na faculdade.
— Por que acha que está acontecendo algo? Ela disse alguma coisa? — Alan perguntou, aproximando-se da mesa.
— Não disse. Mas eu senti. — O tom dele era sério. — Ela está apagada. Triste. Evita meus olhos como se estivesse sendo ameaçada. Eu vou descobrir e quando descobrir alguém vai pagar muito caro por isso.
Alan se sentou devagar. Ele conhecia o olhar de Marcelo. O olhar de homem que protege o que ama.
— E onde eu entro nisso? — perguntou.
Marcelo virou a tela do computador para ele.
— Aqui. Horas de gravação. De todas as câmeras. De toda a semana.
Alan piscou.
— Todas?

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