Ivone abaixou a cabeça e enxugou as lágrimas com força. Só então ela percebeu que os pratos na mesa estavam intactos.
— Levou bolo? — Perguntou Ivone.
Ela levantou o rosto num sobressalto e olhou para Fabiano, percebendo que ele não tinha encontrado ninguém para aquele tal encontro arranjado. Os cantos dos lábios dela quase se ergueram, mas ela prendeu a respiração, esperando pela resposta.
Fabiano baixou o olhar para aqueles olhos vermelhos de tanto chorar, mas ainda brilhando como um céu estrelado. Dentro dos olhos dele, parecia haver fogo queimando, como se alguma coisa estivesse sendo reduzida a cinzas. As pupilas dele se contraíram, e, no fundo daquele olhar escuro, se acumulou uma sombra obsessiva.
Ele puxou Ivone para dentro do abraço de repente. A palma larga, por cima da roupa, queimava as costas e a cintura dela. A voz rouca dele escapou junto com o movimento do pomo de Adão:
— Não deixa os seus pensamentos saírem correndo desse jeito. Repete o que você acabou de dizer.
A chama que ardia no fundo daqueles olhos profundos fez a alma dela tremer. Parecia que fogos de artifício explodiam dentro da mente de Ivone.
Ela ouviu, naquele restaurante vazio, sem nenhuma outra pessoa, as vozes dos dois ecoando:
— Fabiano, vamos ficar juntos, tá bom?
— Ivone, vamos ficar juntos.
…
"Plim."
Uma pedrinha caiu na água, abrindo círculos sucessivos na superfície do lago. As imagens dela e de Fabiano balançaram junto com as ondas e sumiram.
Na beira de um lago em forma de meia‑lua, o vento levantava os cabelos de Ivone, atrapalhando a visão. Ela se abaixou e colheu uma florzinha de caule resistente, em tom azul‑arroxeado com toques de verde, para prender o cabelo para trás.
Mas foi Fabiano quem pegou a flor da mão dela e a envolveu no próprio abraço. A mão dele, a mesma que segurava armas e canetas, juntou o cabelo comprido dela. O gesto saiu um pouco desajeitado.
— É assim que prende o cabelo? — Perguntou Fabiano.
— Você é muito lerdo. A sua punição é ter que prender o meu cabelo todo dia. — Respondeu Ivone.
As mãos largas dele seguraram o rosto dela. Sorrindo, Fabiano falou alguma coisa, e ela, tomada pela vergonha e pela raiva, jogou o corpo em cima dele no meio do canteiro de flores, mordendo e beliscando ele sem dó.
— Você é um cachorro, é? — Perguntou Fabiano.
A mão grande dele apertou de leve o queixo dela. Com um sorriso no olhar, ele encostou a boca nos lábios dela.
Um pedaço inteiro do campo de flores ficou amassado. Pétalas grudaram nas roupas dos dois. Sob a luz da lua, o vento passava sobre o mar de flores. Os dedos quentes dele passaram devagar pelas sobrancelhas e pelos olhos dela.
Os pais dela tinham caído no chão, ensopados de sangue, e aquela arma estava ali, ao lado deles.
— Uma vida paga outra vida. Se vocês morrerem, ela vive. — Disse o garoto, deixando apenas essa frase.
O garoto se virou e a névoa que bloqueava a visão de Ivone se desfez diante dos olhos dela. O rosto que sempre tinha aparecido borrado nos sonhos do passado foi ficando nítido, exatamente igual ao do garoto que ela tinha visto naquele ano em que a empregada segurou a mão dela no corredor.
— Fabiano, a Sra. Paula mandou avisar que a herdeira da família Marques vai morar aqui na Mansão Grande Venice de agora em diante. — Disse a empregada.
— Desde que ela não encha o meu saco. — Respondeu o garoto, com frieza.
Um zumbido preencheu os ouvidos de Ivone. No instante em que o sangue pareceu voltar a circular de novo, ela cuspiu um bocado de sangue.
Por quê…
Chuva forte, raios cortando o céu. Ela saiu correndo da casa, mas o pulso dela foi agarrado de repente.
— Ivi!
Ivone olhou para trás, e o rosto do adolescente se fundiu com o de Fabiano. Do passado até hoje, ela tinha vivido mais de dez anos sem enxergar a verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...