Maia pegou a roupa que estava no chão. As pontas rígidas e trêmulas dos dedos dela quase rasgaram o tecido.
Ela não tinha se enganado. Naquele dia, Ivone tinha saído de casa vestindo exatamente aquele casaco.
Era de uma marca que Ivone adorava, bem cara, mas, para alguém como Ivone, que tinha crescido cercada de luxo, recebendo carinho dos pais até os sete anos e, depois disso, sendo acolhida na Mansão Grande Venice como herdeira, aquilo não passava de uma peça comum, como qualquer roupa que uma pessoa normal compraria.
Durante todos aqueles anos, o jeito de Ivone se vestir e o estilo dela quase não tinham mudado.
Como se ainda quisesse tirar a prova, Maia levou o casaco até o nariz e aspirou de leve. O perfume suave entrou pelas narinas dela.
Era o cheiro da Ivone!
O casaco tinha sido totalmente encharcado pela chuva e pesava na mão dela. Exatamente como o coração de Maia naquele momento, afundado no fundo do poço.
Ela se lembrou da cena de antes da explosão. Ivone ainda estava usando aquela roupa. E não havia chance de a onda de choque ter arremessado Ivone direto para dentro daquela mata.
Então, por que a roupa de Ivone estava ali? A resposta era óbvia.
Ivone não tinha morrido. Ela não tinha morrido e tinha entrado naquela floresta.
Só que, mesmo molhado, aquele casaco era algo que Ivone não tiraria à toa, a não ser que alguém tivesse mandado ela tirar para vesti-la com algo ainda mais quente.
E quem seria essa pessoa? Quem teria tido tanta pena de Ivone assim?
Maia cerrou os dentes, que batiam de leve, e os olhos dela ficaram vermelhos num estalo. Lágrimas de pura frustração transbordaram. Nenhum dos dois tinha morrido. Nem Ivone, nem Fabiano.
E, assim como ela, os dois também tinham entrado naquela mata. Talvez eles nem estivessem tão longe.
Só de imaginar que Ivone e Fabiano estavam ali, no mesmo lugar que ela, Maia sentiu o sangue inteiro voltar a ferver.
Ela precisava encontrar Fabiano. Ela precisava encontrar Ivone. E ela tinha que matar Ivone com as próprias mãos.
Mas Maia não fazia ideia de que lado eles tinham seguido. A floresta era enorme, tomada por mato alto. Ela mal enxergava o chão. Cada passo era dado praticamente no escuro.
O recuo da arma fez a coronha bater nas costas de Fabiano.
Um traço de constrangimento cruzou o rosto dela, mas, um segundo depois, ela disse, sem rodeios:
— Desculpa.
Aquela fisgada de dor não significava nada para Fabiano. Ele lançou um olhar rápido para o homem de Douglas caído no chão e soube, na hora, que Ivone tinha acertado um ponto vital com aquele disparo.
Ele continuou andando com o passo firme, carregando Ivone nas costas.
— A sua mira melhorou. — Comentou ele.
Ivone não esperava que a boca de Fabiano fosse capaz de elogiar alguém. Mesmo assim, ela teve que admitir que ele tinha sido bem justo na avaliação, e não soara nada mal.
— É que o meu instrutor de tiro é bom. — Respondeu Ivone, apertando a arma com mais firmeza. Ao pensar que, se até Fabiano tinha conseguido elogiar, se Cássio estivesse ali, com certeza ele também iria dizer algo para reconhecer o progresso dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...