Quando a onda de choque lançou Maia pelo ar e a fez rolar penhasco abaixo, ela perdeu a consciência na hora e não soube que o corpo dela tinha ficado preso entre pedras salientes da encosta.
A chuva gelada encharcou o corpo inteiro dela. Maia abriu os olhos, meio grogue. Acima da cabeça dela, os estrondos dos tiros não paravam, misturados ao barulho pesado das hélices do helicóptero.
A chuva cortava o facho de luz que vinha do helicóptero e caía direto nos olhos dela. Ela não sentiu ardência nenhuma. Pelo contrário, ela abriu ainda mais os olhos.
Ela levantou a mão e olhou para o corte nas costas da mão, que a água da chuva tinha lavado até a cor ficar mais clara.
"É, era só lavar que ficava tudo bem."
Se ela lavasse tudo, ela podia fingir que nada tinha acontecido.
Onde Fabiano tinha ido parar? Ela se lembrava de que, no momento da explosão, ela tinha se atirado em cima de Fabiano e os dois tinham despencado juntos do penhasco.
Maia ergueu a cabeça e olhou para cima. O topo da montanha de onde ela tinha caído parecia ainda mais alto visto dali. Ela apoiou a mão na pedra e tentou olhar para baixo, mas o que ela viu foi só um abismo sem fim. Um vento gelado subia do fundo do precipício e bateu no rosto dela, deixando Maia ainda mais pálida.
Será que Fabiano e Ivone tinham caído até lá embaixo?
Quando ela pensou nisso, Maia sentiu como se uma parte do coração dela tivesse ficado oca.
O helicóptero vinha se aproximando do penhasco. Ela não fazia ideia se era o helicóptero de Fabiano ou o de Douglas.
Se fosse o de Douglas, seria até melhor. Douglas queria o que ela carregava consigo, com certeza ele ia salvar ela. Mas se fosse o helicóptero de Fabiano, assim que eles a encontrassem, eles iam levar ela de volta como prisioneira.
Ela não podia deixar que isso acontecesse. Se Fabiano tivesse morrido, a vida dela não faria mais sentido.
Mas talvez Fabiano, assim como ela, também não estivesse destinado a morrer ali. Era isso. Fabiano sempre tinha sido uma espécie de mensageiro de Deus. Em todo aperto, ele dava um jeito de sair vivo. Desta vez não seria diferente.
Quando ela pensou em Fabiano, Maia sentiu uma força absurda crescer dentro dela. Com essa força, ela conseguiu se arrastar para dentro da mata.
O mato ali era alto e fechado, o chão de terra e galhos secos estava todo encharcado pela chuva.
Gotas e mais gotas espirraram no rosto dela quando o mato encharcado varreu o rosto de Maia. Ela se apoiou no tronco de uma árvore e, cambaleando, conseguiu ficar em pé. Ela virou o corpo e lançou um olhar para fora, em direção ao penhasco. O helicóptero tinha acabado de pairar exatamente sobre o ponto onde ela estava instante antes.
Mais um pouco e ela teria sido vista.
Maia curvou os lábios em um sorriso frio. Ela apoiou a mão no tronco e começou a avançar, arrastando os pés, um passo de cada vez.
De repente, o pé dela esbarrou em alguma coisa. Ela abaixou a cabeça para ver o que era e, quando reconheceu o objeto, sentiu o sangue inteiro ferver dentro do corpo.
Era a roupa de Ivone.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...