Era hora de correr contra o tempo.
Um dos homens ao lado de Douglas gritou na direção da pedra:
— Srta. Ivone, o nosso tempo está acabando. Trate de se apressar, senão vai ter que fazer nas próprias calças.
Ivone não deu atenção para ele. Ela simplesmente continuou andando e foi direto para trás da pedra grande.
Todos viram quando ela chegou atrás do rochedo. Ela se agachou ali, deixando só a barra da roupa à mostra. O topo da montanha estava coberto por uma névoa fina, e, sob aquela névoa, a ponta da roupa de Ivone se misturava à escuridão da noite, tornando-se um borrão negro.
De vez em quando, um ou outro canto de pássaro ecoava no meio das árvores.
A noite ficava cada vez mais densa, o céu não mostrava nem uma única estrela. De repente, algumas gotas de chuva começaram a cair.
Douglas estendeu a mão. As gotas bateram na palma dele e, em seguida, caíram no cascalho da trilha com um som miúdo e constante. Aquele pingo aqui, pingo ali virou um chuvisco mais pesado, até que a chuva começou a engrossar de vez.
No ponto em que eles não conseguiam enxergar, Ivone já tinha escorregado pelo declive atrás da pedra. Ela não tinha mais nada daquela "moça frágil" que mal conseguia dar um passo na frente deles.
Ela só tinha conseguido fazer aquilo graças ao treinamento intenso que Cássio tinha dado a ela nas últimas semanas, o que deixara o corpo dela muito mais ágil.
Quando Ivone pensou em Cássio, ela automaticamente se lembrou de que o nome Cássio era quase igual ao nome Cássia, que ela mesma tinha calculado usando aquela história de destino pelos signos.
Mas aquele claramente não era o momento para pensar nisso. Ivone afastou as distrações e se concentrou apenas no chão debaixo dos próprios pés.
A chuva caía, e Ivone ouviu, lá em cima, os homens de Douglas apressando-a. Atrás da pedra grande, Ivone tinha deixado uma pedra posicionada, para que, no escuro, eles acreditassem que ela ainda estivesse agachada ali, se aliviando.
Só que aquele truque não ia durar muito tempo, ainda mais com eles chamando por ela. Logo, eles iriam perceber que tinham sido enganados.
Por outro lado, parecia que até Deus tinha decidido ajudar Ivone. A chuva era gelada, mas o barulho insistente das gotas batendo nas folhas e nas pedras abafava qualquer ruído que ela fizesse.
Ivone prendeu a respiração e se escondeu atrás de um tronco grosso. Ela virou o rosto e olhou rapidamente para o caminho por onde tinha vindo. A mata estava completamente escura, sem um único ponto de luz, e, por enquanto, nada se mexia. Ninguém a tinha alcançado ainda.
A água da chuva escorria pelas folhas e pingava pelas frestas entre os galhos, caindo no rosto dela. Os cabelos molhados grudavam na pele. De repente, Ivone percebeu que, misturada ao ruído da mata, havia também voz humana.
— A gente está a que distância do Douglas? — Uma voz perguntou.
— Pelo rastreador, ele está aqui por perto. — Outra voz respondeu.
— O helicóptero já está certo? — A primeira voz insistiu.
— Dom Douglas já deixou tudo preparado. — A resposta veio firme.
A mão de Ivone, que segurava o tronco, enrijeceu de repente. Ela reconheceu a voz de Maia e... a voz de Rui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...