Ao ver o vinho que deveria ser bebido por Ivone ser tomado por Fabiano, o olhar dela congelou por um instante, mas ela desistiu da ideia de recuperar a garrafa.
Ivone permaneceu sentada à sua frente, observando em silêncio enquanto Fabiano esvaziava a garrafa inteira e, por fim, a colocava de volta sobre a mesa.
— Não se arrependa. — A voz rouca de Fabiano soou autoritária, mas havia, sob ela, um pedido quase imperceptível.
Ivone captou aquele traço de súplica em seu tom.
Vindo justamente de Fabiano, sempre tão distante, frio e orgulhoso. Ela tinha bebido apenas duas taças… como poderia já estar bêbada a ponto de ter alucinações?
Os dedos de Ivone pararam por um instante. Quando voltou a olhar para ele, os olhos de Fabiano estavam límpidos e calmos, como se nada tivesse acontecido.
Ivone pegou outra garrafa. Baixou a cabeça e ficou encarando as bolhas dentro da taça, e só depois de um longo tempo finalmente perguntou:
— Você já sentiu falta daquela criança?
Se o bebê tivesse sobrevivido, naquele momento já teria um ano e um mês. Mas ele já havia se tornado um anjinho.
Os olhos profundos de Fabiano, sombrios até o limite, fixaram-se nos cílios de Ivone, que começavam a ficar úmidos. A mão dele se fechou em um punho no ar, os nós dos dedos tensionados.
Antes de subir para a varanda, ele havia recebido uma ligação do hospital. Cofrinho tinha ficado desacordado por um dia inteiro antes de recobrar a consciência. Se não encontrassem rapidamente uma medula compatível, o estado dele pioraria cada vez mais.
O caso de Cofrinho era especial. A medula compatível também era extremamente rara. Se, para uma pessoa comum, a chance de encontrar uma medula compatível já era de uma em dez mil, para Cofrinho era de uma em dez milhões, talvez até uma em cem milhões.
Os dedos de Fabiano, antes tão tensos, se soltaram lentamente. Em seguida, ele pegou a garrafa inteira.
Ele escolheu beber.
Pelo canto do olho, Ivone viu o gesto dele levando a garrafa à boca. O peito dela apertou, pesado, mas ao mesmo tempo parecia inevitável.
Depois que o bebê morreu, eles nunca mais tocaram naquele assunto. E Fabiano, diante dela, nunca deixou transparecer nada.
Era como se aquela criança nunca tivesse existido.
No instante seguinte, o corpo de Ivone tombou de lado, a cabeça encostando no encosto da cadeira de vime. Ela soltou o ar devagar, as bochechas ainda mais vermelhas:
— Esse vinho é falsificado…? Por que eu… estou tão tonta?
Fabiano se levantou e caminhou até ela. Ele se inclinou, passou o braço atrás da cabeça dela e a ajudou a se erguer, trazendo-a suavemente contra o peito.
— Isso conta como uma pergunta? — Murmurou Fabiano, olhando para baixo, muito perto do rosto dela.
Ivone franziu a testa, tentando empurrá-lo. Mas o que conseguiu foi apenas estender o dedo indicador e dar leves toques no peito firme dele.
— Seu comerciante trapaceiro! — De repente, a voz da Ivone subiu. — Claro que não conta.
Sobre a ilha, um helicóptero preto girava as hélices, produzindo um som grave e contínuo.
O ruído do mar se misturava ao ronco do helicóptero, preenchendo o céu noturno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...