— Já que eu aceitei jogar com você, então vou acrescentar mais uma regra. — Continuou Fabiano.
Ivone olhou para aquele homem que lidava com negócios há tantos anos:
— Que regra?
— Depois que um de nós responder, o outro decide se ficou satisfeito ou não. Se estiver satisfeito, bebe uma taça. Se não estiver, não bebe. E, já que essas três chances de beber são tão preciosas, em vez de um gole, cada vez a gente bebe uma garrafa inteira.
Enquanto falava, ele abriu outra garrafa e encheu as taças dos dois quase até a borda.
— Fechado. — Ivone concordou sem hesitar.
Ela sabia que aguentava três garrafas.
— Você começa. — Disse Ivone, lançando um rápido olhar para Fabiano, enquanto os dedos pegavam, quase sem pensar, duas castanhas-de-caju e levavam à boca.
Ela tinha que admitir: as castanhas estavam muito bem feitas.
Fabiano se recostou na cadeira de vime e, com um tom calmo, perguntou devagar:
— Se eu e o Davi caíssemos na água ao mesmo tempo, quem você salvaria?
O movimento de mastigar de Ivone parou. Ela o encarou, atônita, as sobrancelhas levemente franzidas.
Que tipo de pergunta absurda era aquela? Mas, passada a surpresa, Ivone respondeu sem hesitar:
— Eu salvaria o Davi.
Nos ouvidos de Fabiano ecoou novamente a voz de Davi ao telefone, no passado, cheia de autoconfiança e provocação: "Se nós dois caíssemos na água ao mesmo tempo, ela vai me salvar primeiro, é óbvio!"
Ivone perguntou, com tom frio:
— Você ficou insatisfeito com essa resposta?
— Agora é a sua vez.
Os olhos profundos de Fabiano estavam escurecidos de forma quase assustadora.
Ivone já tinha preparado suas perguntas com antecedência, mas, na hora de colocá-las em palavras, sentiu a língua pesar.
— Quando você descobriu que seus pais tinham sido…pelos meus...? Quando soube da verdade sobre a morte deles?
Fabiano observou o modo como ela baixou a cabeça justamente na pausa da frase. Seu olhar escureceu um pouco mais, mas a voz permaneceu neutra:
— Eu tinha doze anos.
Os dedos de Ivone apertaram com força as castanhas que segurava.
Na noite em que, sem motivo aparente, ela havia cuspido sangue, passou o dia seguinte abatida, sem energia, sem interesse em nada. Davi ainda insistira em levá-la para sair, tentando distraí-la.
Mas, nesses dois dias na ilha, era como se tivesse voltado a respirar.
Ela pegou a taça e bebeu novamente.
Fabiano empurrou o prato de castanhas um pouco mais na direção dela. Observou os cantos dos olhos de Ivone levemente avermelhados e, com a voz grave carregada de uma emoção contida, perguntou devagar:
— Em cada minuto e segundo do nosso passado… você realmente se arrepende de ter me conhecido?
O olhar de Ivone vacilou. Ela se recostou na cadeira, ergueu os olhos para o céu, para a Estrela Polar que simbolizava o "eterno". Mas o brilho no fundo de seus olhos foi se apagando aos poucos.
Ela realmente se arrependia de tê-lo conhecido?
A pergunta começou a girar sem parar dentro dela, apertando cada vez mais, como um fio de aço enrolado no coração, prestes a esmagá-lo. Ivone quase não suportou aquela sensação de estrangulamento. Esticou a mão em direção à garrafa, escolhendo beber.
Mas, no exato instante em que seus dedos tocaram o vidro, uma mão de dedos longos e firmes pegou a garrafa primeiro.
O pomo de Adão de Fabiano subiu e desceu, e o vinho desceu direto pela garganta.
Ele bebeu no lugar da escolha de Ivone.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...