— Me põe no chão!
Os olhos de Ivone estavam cheios de rejeição e nojo. O corpo inteiro dela rejeitava o toque dele, e a mente dela também.
Os braços de Fabiano ficaram tensos, rígidos, apertando-a ainda mais contra o peito. Ele enfiou o rosto no colo dela e respirou fundo, ofegante:
— O que você quer como prêmio?
— Você me solta! — Ivone gritou, cheia de raiva.
De repente, Fabiano, ainda com o rosto enterrado entre os seios dela, soltou uma risada baixa:
— Esse prêmio serve.
Fabiano fez menção de soltá-la, mas Ivone se irritou ainda mais:
— Fabiano, você está querendo me enrolar, é isso?
O sol já estava se pondo. A luz alaranjada escorria pelo horizonte do mar e tingia o chão da ilha. Nuvens em tons de rosa e dourado se espalhavam pelo céu.
Fabiano levantou o rosto. O rosto bonito dele parecia coberto por uma camada de âmbar. Ele colocou Ivone de volta no chão e a fitou com um olhar escuro e profundo:
— O que você quer?
Ivone não hesitou. Parecia que já tinha decidido aquilo antes mesmo de começarem a disputa.
Ela articulou cada palavra com clareza:
— Eu quero a vida da Maia.
O sol desapareceu de vez. O vento do mar ficou mais frio.
— Eu já falei: um prêmio razoável. — Fabiano respondeu.
Ele ficou de costas para o último fio de luz do dia. As linhas do rosto dele afundaram nas sombras, impedindo que Ivone enxergasse claramente seus olhos.
Mas Ivone ouviu muito bem o gelo escondido na voz dele. Então, tudo o que ele tinha dito antes da disputa, sobre ela ser mais importante do que Maia, não passava de ilusão. Ainda bem que ela não tinha levado aquelas palavras a sério.
Ivone só estava apostando alto. Se ganhasse, tentaria arrancar de Fabiano a cabeça de Maia. Se perdesse, recuaria, fingiria que tudo não passava de uma bravata e pediria outra coisa, algo que ele pudesse aceitar.
Um espinho apertou o coração dela por dentro. Ivone sorriu sem o menor pudor:
— Quando eu decidir, eu falo. Eu vou jantar.
O quarto tinha um aroma suave de flores. Era o cheiro do óleo essencial que Fabiano tinha mandado preparar especialmente para o sono. A fórmula não tinha nenhum efeito colateral.
Ivone já estava dormindo profundamente. Ela não ouviu o som da água correndo no banheiro.
Ninguém sabia quanto tempo passou até que alguém erguesse uma ponta do edredom.
Fabiano se deitou na cama e virou Ivone de lado, puxando o corpo dela para perto do seu. À luz fraca da lua, ele examinou o rosto dela: primeiro as sobrancelhas, depois os olhos fechados, em seguida o nariz delicado e, por fim, os lábios levemente inchados.
O olhar escuro de Fabiano percorreu, lentamente, cada traço do rosto dela, mais de uma vez.
O mundo inteiro pareceu silenciar. Um silêncio tão absoluto que dava a sensação de que só existiam os dois. Nenhuma outra pessoa. Nenhum outro problema.
Os braços rígidos de Fabiano finalmente cederam. Ele a abraçou com força, encaixando o rosto dela na curva do seu ombro.
No segundo seguinte, ele ouviu a mulher em seus braços murmurar, dormindo:
— Lagoa Meia-Lua.
O braço dele enrijeceu por um instante.
Esse tinha sido o nome que ela mesma havia inventado, anos atrás, para o lago em forma de lua crescente daquela ilha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...