Do lado de fora da janela, o céu azul e as nuvens brancas passavam rapidamente, enquanto o avião cortava os ares como uma flecha lançada, afastando-se velozmente da região desabitada.
......
Ao mesmo tempo.
Hugo levantou a cabeça e avistou uma fileira de aviões no alto do céu. Sentado dentro do jipe, franziu as sobrancelhas de tal maneira que pareciam um nó apertado.
"De onde vieram esses aviões?" indagou ele com a voz fria, dirigindo-se ao subordinado que conduzia o veículo.
O subordinado também mostrou confusão no rosto: "Não sei dizer, senhor, mas seguindo aquela direção, acabaram de ir para a cabana de pedra. Talvez sejam pessoas do Diretor Martins, vieram buscá-los."
Ao ouvir isso, Hugo franziu ainda mais o cenho.
Cerrando os dentes, soltou um resmungo gélido: "Parece que ele tem mesmo muita sorte, nem assim consegue morrer."
Momentos antes, tomado por um impulso repentino e aborrecido, Hugo havia decidido partir às pressas com seus homens, sem se importar com a sorte de Jessica e dos demais.
Afinal, pensou consigo mesmo, se aquele casal ainda tinha ânimo para se divertir na cabana de pedra, por que ele deveria se preocupar com o destino deles?
Além do mais, já estavam com um carro. Se David se recuperasse, certamente lideraria o grupo de volta em segurança. Caso não sobrevivesse, morrendo naquela região desabitada, seria simplesmente seu destino.
Porém, mal havia se afastado, alguns aviões localizaram o grupo com precisão e conseguiram resgatá-los.
O subordinado, observando Hugo pelo retrovisor, percebeu que o chefe estava de mau humor.
Foi ele quem mandou esperar, mas depois decidiu sair de repente—claramente havia sido provocado por algo.
Um brilho ameaçador passou pelo olhar do subordinado; ele não permitiria que ninguém interferisse nos grandes planos de Hugo.
Enquanto Hugo continuava inquieto, de repente, uma nuvem amarelada ergueu-se no deserto, avançando sobre eles como uma onda.
O subordinado gritou, apavorado: "Má notícia, Sr. Siqueira! Estamos diante de uma tempestade de areia!"
Mal terminou de falar, um vendaval feroz, como uma fera indomável, rugiu e varreu tudo ao redor, levantando nuvens de areia e poeira que dançavam no ar. A tempestade surgiu sem qualquer aviso.
Logo em seguida, o carro começou a balançar violentamente, ameaçando ser arrastado pelo vento a qualquer instante.
A carroceria sacudia de um lado para o outro, enquanto os objetos no interior eram atirados por todos os cantos, produzindo um som estrondoso.
Mas, no fim, eles ainda conseguiram escapar.
Florinda, porém, logo recuperou a compostura. Um sorriso enigmático surgiu em seus lábios.
David agora estava sob efeito do veneno que ela preparara.
Ao lembrar da toxina em David, uma excitação indescritível tomou conta de Florinda.
Aquele Veneno do Amor fora adquirido por um alto preço de uma tribo local.
Diziam que, ao administrar esse Veneno do Amor à pessoa amada, ela se tornaria incapaz de se libertar da paixão, perdendo o controle dos próprios sentimentos.
Quem estivesse sob efeito do Veneno do Amor passaria a visualizar diariamente o rosto de quem o envenenou, sentindo uma saudade constante e impossível de esquecer.
Somente a união física entre os dois poderia aliviar o sofrimento.
Quando David não aguentasse mais a tortura do Veneno do Amor, viria até ela, sem outra escolha.
Pensando nisso, Florinda sorriu, satisfeita: "Esse Veneno do Amor, só eu posso curar. David, no fim, você será meu. Ninguém poderá tirá-lo de mim."

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