Daniel bufou de raiva, pulando imediatamente do colo do Bisavô, com as bochechas infladas, dizendo: "Bisavô que está mentindo! Tem um tesouro e nem me contou, não brinco mais com você."
O rostinho do menino estava repleto de descontentamento, e suas bochechas pareciam dois balõezinhos prestes a estourar.
Wagner sentiu de repente o vazio em suas pernas, e o coração ficou igualmente vazio.
Ao ver que Daniel já ia sair correndo, o velho imediatamente acenou com a mão, chamando: "Volte aqui."
Ao ouvir o chamado, Daniel freou bruscamente, e logo depois saiu correndo de volta para o lado do Bisavô, com os olhos brilhando de expectativa: "Bisavô, então agora você vai me contar onde está o tesouro?"
Hesitação passou rapidamente pelo rosto de Wagner. O segredo daquele tesouro envolvia muitas histórias antigas, não era algo fácil de contar.
Vendo que o Bisavô permanecia calado, Daniel simplesmente agarrou o braço dele, continuando a insistir de modo manhoso: "Ah, Bisavô, conta pra mim, vai! O senhor já está tão velhinho, quase indo embora desse mundo... Se não me contar, depois ninguém mais vai conseguir encontrar esses tesouros."
O velho criado, ouvindo isso, sentiu o suor frio escorrer pela testa.
O senhor nunca foi de temperamento fácil; normalmente, ao ouvir palavras tão ousadas, já teria se irritado.
Mas, ao virar-se, o velho apenas deu um leve peteleco na testa de Daniel, aplicando-lhe um pequeno corretivo: "Você, menino, quem disse que estou quase morrendo? Desde que sua mamãe me deu aquele remédio milagroso, melhorei muito."
Ao mencionar o remédio, um sorriso involuntário surgiu no rosto do velho.
Aquele remédio era realmente extraordinário, até mesmo Orlando Gomes, renomado especialista em medicina tradicional da família, ficou surpreso.
Antes, o velho estava cada vez mais fraco, com pouco tempo de vida. Mas, depois de tomar o remédio, recuperou-se de forma milagrosa.
Não só ficou muito mais disposto, como até algumas doenças antigas melhoraram visivelmente.
Daniel olhou ao redor, cauteloso.
Assim que o criado se afastou, Daniel grudou-se no Bisavô como um chaveirinho, apressado: "Pronto, Bisavô, agora conta logo!"
Wagner pigarreou, seu rosto ficou mais sério, e ele começou a falar devagar: "Essa história do tesouro começa lá atrás, com nossos antepassados da Família Gomes..."
Seu olhar parecia atravessar o tempo, voltando àquela época distante.
Daniel ouvia tão atento que a boca ficou entreaberta, os olhos nem piscavam.
O velho fez uma pausa e continuou: "Nossos antepassados da Família Gomes foram nobres de grande prestígio, e ao longo das gerações acumularam muitas riquezas e joias. Mais tarde, para escapar das guerras, esconderam parte dos tesouros mais valiosos em um lugar secreto..."

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