Ao ouvir isso, Ramiro sentiu uma fúria subir-lhe à cabeça como um raio, e gritou, incapaz de conter a ira: “Você está querendo matá-los?”
O ancião apressou-se em balançar as mãos, soltou um suspiro e respondeu: “Não, não é isso, eu só queria que eles desistissem, eles não vão conseguir pegar o tesouro.”
Seu olhar vagava inquieto, repleto de culpa e medo.
Ramiro não acreditou nem por um instante; avançou um passo, pressionando novamente a faca contra o pescoço enrugado do velho, a lâmina quase se cravando naquela pele cheia de marcas do tempo: “Você está mentindo, eu vejo que você realmente quer matá-los!”
O ancião exclamou: “Eu guardo este lugar há quarenta anos, conheço melhor do que ninguém. Conseguir esse tesouro é quase impossível. O motivo de eu ter instalado essa armadilha foi para fazê-los voltar. Se continuassem seguindo em frente, seria um caminho sem volta, só a morte os aguardaria.”
Hugo perguntou com expressão grave: “E o que acontece se essa armadilha for acionada?”
O ancião engoliu em seco, respondendo com evidente nervosismo: “Eu já dei sinais suficientes. Quanto a voltarem vivos ou não, isso depende da sorte deles...”
Assim que ele terminou, a atmosfera dentro da casa congelou instantaneamente.
Hugo virou-se e olhou para Ramiro, sério e decidido: “Fique de olho nele, não deixe que faça nada suspeito. Eu vou atrás deles!”
Sem hesitar, ele se virou e correu em direção à entrada da cripta.
Ramiro manteve os olhos fixos no ancião, o olhar afiado: “É melhor você se comportar. Se algo acontecer com eles, você vai me acompanhar!”
......
Naquele momento, nas profundezas subterrâneas, Hugo cuidava dos próprios ferimentos.
O sangue escorria sem parar de seu corpo, jorrando por várias perfurações feitas por espadas afiadas. O pior era que as lâminas ainda estavam impregnadas de veneno mortal.
Ele precisava tratar os ferimentos rapidamente, tirar as lâminas e aplicar uma injeção de bloqueio.
Caso contrário, talvez nem conseguisse sair dali com vida.
David insistiu: “Além de mim, não tem mais ninguém aqui para te ajudar.”
O recado era claro: não pense em pedir ajuda para Jessica.
Hugo resmungou e não respondeu, suportando a dor e tratando os ferimentos em silêncio.
Talvez por ver o quanto ele estava tendo dificuldades, Jessica gentilmente segurou uma lanterna para ele. No subterrâneo, tudo era escuro; assim, ele poderia enxergar melhor.
Hugo ergueu o olhar para ela: “Obrigado.”
Jessica não respondeu.
Depois de um tempo, Hugo finalmente terminou de cuidar dos ferimentos. Parecia alguém que acabara de escapar da morte, encostou-se exausto à parede, respirando com dificuldade, enquanto o suor continuava a ensopar sua camisa.
Só depois de um bom tempo ele conseguiu recuperar o fôlego, levantou a cabeça e olhou para David com um olhar complicado, perguntando: “Por que você me salvou há pouco?”

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