Jessica assentiu levemente com a cabeça.
Ela prendeu a respiração, esforçando-se para não emitir nenhum som, mantendo os olhos fixos, sem piscar, na assustadora silhueta do lado de fora da barraca, enquanto, em silêncio, rezava para que aquela criatura fosse embora o quanto antes.
Naquela região isolada havia muitos animais selvagens; o aparecimento de um significava que havia um grupo, e era melhor não provocá-los.
O urso selvagem continuava rondando do lado de fora da barraca, emitindo, de vez em quando, um rosnado baixo.
Logo, aquela criatura colossal chegou até a encostar o rosto na lona da barraca, e o pelo áspero arranhava o tecido, produzindo um ruído sibilante.
Jessica observava, tensa, a silhueta escura diante dela, sentindo o coração quase saltar pela boca.
Esperou, aguardou, até que finalmente, o urso selvagem se afastou lentamente.
Jessica viu aquela sombra escura se distanciar aos poucos e só então soltou o ar, aliviada.
No entanto, ao recuperar o fôlego, ela ergueu os olhos e percebeu de repente que a mão de David ainda estava sobre seus lábios.
Ao notar que David permanecia imóvel, Jessica, um pouco desconfortável, murmurou: “Hum, hum hum...”
David, ao escutar o som, pareceu despertar de um transe e enfim soltou a mão.
Mesmo assim, os corpos dos dois continuavam colados, já que o espaço estreito da barraca não lhes permitia afastar-se; podiam ouvir claramente a respiração um do outro.
Jessica, um pouco constrangida, disse: “Ele já foi embora, você pode se levantar.”
Só então David abaixou a cabeça e percebeu que praticamente metade do seu corpo estava sobre ela. Por causa do espaço apertado, os dois haviam se espremido juntos de forma natural.
Meio envergonhado, ele se recompôs rapidamente, sentando-se ao lado dela.
Por um momento, instalou-se um silêncio sutil e constrangedor dentro da barraca.
Jessica pigarreou levemente e falou: “Ainda bem que você estava aqui.”
Assim, entre apreensão e medo, Jessica passou uma noite longa e angustiante.
Só ao raiar do dia, quando os primeiros raios de sol tocaram o acampamento, ela conseguiu cochilar por algum tempo.
Cerca de uma hora depois, dois pequenos pontos escuros surgiram ao longe — eram os dois auxiliares que haviam saído para procurar os desaparecidos.
Eles correram de volta rapidamente, com expressões sérias nos rostos.
Jessica foi ao encontro deles imediatamente e perguntou: “E aí? Encontraram alguma coisa?”
Nesse momento, David também se aproximou.
Os dois auxiliares balançaram a cabeça.
Um deles disse: “Diretor Martins, senhora, o caminho à frente está cada vez mais difícil, e encontramos muitos rastros de animais grandes. Aquela área é um ponto de concentração de feras; não há sinais de pessoas. Acho que precisamos mudar de direção.”

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