"Quando foi que vocês já vieram aqui?" O senhor franziu as sobrancelhas.
Daniel percebeu que havia deixado escapar algo, então tratou logo de mudar de assunto, batendo levemente na barriga com a mãozinha: "Isso não é importante, importante é que minha barriga já está roncando de fome."
O senhor não conseguiu conter o riso diante daquela cena e não insistiu mais, acenando apressado: "Vamos, levem logo o pequeno para jantar."
Dito isso, foi ele mesmo quem guiou o caminho, puxando os pequenos pela mão em direção à sala de jantar.
No trajeto, seus olhos não se desgrudavam deles nem por um segundo.
Antônio vinha logo atrás, e ao ver o senhor tão animado, quase esqueceu todo o drama do divórcio de instantes atrás; a nuvem escura em seu coração dissipou-se um pouco.
Mas Dona Martins não esqueceu.
Afinal, ainda nem tinham confirmado se aqueles pequenos eram mesmo descendentes da Família Martins. E mesmo que fossem, ela já estava decidida a se divorciar de Antônio.
No momento, não tinha o menor ânimo para se alegrar.
Quando todos se sentaram, o senhor fez questão de acomodar as crianças ao seu lado, servindo-lhes comida e passando suco, demonstrando um cuidado especial.
Os pequenos comiam com gosto, ainda sendo educados e agradecendo ao senhor.
O senhor sorria de orelha a orelha de tanta alegria.
No meio da refeição, Mário pareceu se lembrar de algo, olhou para Antônio e perguntou: "E o David e a Jessica? Por que não vieram juntos?"
Antônio ficou um pouco sem jeito ao se dar conta deles. "Nossa, esqueci completamente! Vou ligar para o David agora mesmo."
Ele realmente não deu muita importância ao assunto; para ele, David provavelmente já conhecia aquelas quatro crianças fazia tempo.
Perguntou em voz clara e aguda: "Bisavô, por que ela está aqui?"
Pegando Dona Ema de surpresa, ela congelou no lugar, lançando aos pequenos olhares cheios de ressentimento.
Ela trabalhava há anos na mansão e, com a proteção de Dona Martins, costumava se sentir "segura", mas jamais imaginou que um dia aqueles pequenos que desprezava apareceriam na mansão, recebendo toda aquela atenção do senhor e sendo tratados como preciosidades por toda a família.
O senhor lançou um olhar a Dona Ema e respondeu friamente: "Ah, ela é uma das empregadas daqui, trabalha aqui na casa."
Daniel, porém, fez uma carinha séria, largou o garfo e, inclinando-se para trás na cadeira, disse de bochechas cheias: "Eu não gosto dela."
O senhor ficou surpreso e logo perguntou: "O que houve? Se não gosta dela tudo bem, mas por que parou de comer? A comida não está boa?"
Daniel acenou com a cabeça, como se aquilo fosse a coisa mais séria do mundo: "Quando vejo ela, perco toda a fome. Mande ela embora logo. Se não mandar ela embora, eu nunca mais venho aqui e nem como mais na sua casa."

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