A Sra. Gomes tentou convencê-los com paciência: "Eu sei que vocês queriam uma irmãzinha, mas... mas o irmãozinho também é filho da mamãe. Agora que a mamãe não está aqui, vocês precisam cuidar dele com ainda mais carinho, entenderam? Senão, a mamãe ficará triste quando voltar."
Os quatro meninos não se deixaram convencer.
Não queriam ouvir, só queriam a irmãzinha.
O olhar da Sra. Gomes passou pelo perfil ainda tenso de David. Será que depois de consolar os quatro pequenos, ela ainda teria que consolar o grande?
Lucas deu um tapinha no ombro da Sra. Gomes e disse: "Deixa pra lá. Deixe que todos se acalmem um pouco. Cedo ou tarde, eles vão aceitar a realidade..."
Afinal, ele mesmo já não havia aceitado isso quatro vezes?
...........
No cemitério.
A chuva fina, misturada com areia, batia na lápide.
Depois de cuidar do funeral de Solange, Celeste ajoelhou-se diante de seu túmulo, a barra de seu vestido preto encharcada de lama.
Seus dedos acariciavam a inscrição fria na pedra, as unhas ainda com vestígios da terra do enterro: "Solange, sua irmã pede desculpas."
"Você ainda não quer perdoar sua irmã?"
"Sua irmã nem conseguiu se despedir de você. Solange, sua irmã se arrepende tanto..."
O vento passava pelos pinheiros, emitindo um som de lamento. Algumas folhas secas caíram em seu ombro, lembrando as travessuras de sua irmã mais nova.
Quando eram crianças, o relacionamento delas era muito bom. Se o que aconteceu depois não tivesse ocorrido, elas teriam continuado assim para sempre...
Ela pegou a folha seca em seu ombro e a apertou na palma da mão.
De repente, Celeste começou a rir, mas o riso se desfez em soluços: "Solange, me desculpe. Naquele ano, sua irmã disse que te levaria para Paris, para ver o mundo, que te daria o melhor casamento..."

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