Sua voz ficou embargada: "Antônio, embora eu tenha feito coisas erradas e te enganado, meu amor por você é verdadeiro."
A mão de Antônio no volante se apertou.
As lágrimas dela caíram, carregadas de tristeza. Ela sabia que, depois dessa partida, eles nunca mais se veriam nesta vida. Se não falasse agora, não haveria outra oportunidade.
"Nestes anos, não houve um dia em que eu não tenha pensado em você. Mesmo quando estava com Levi, meu coração só tinha você. Nisso, eu nunca menti para você!"
O rosto de Antônio estava tenso: "Então por que você ajudou Levi a me enganar?"
Maria ergueu a cabeça, um traço de confusão em seus olhos, como se não entendesse a que ele se referia.
Ele apontou para o pulso dela. "Antes, você tinha marcas no pulso. Quando eu pensei que ele a agredia, por que você não explicou?"
Maria abaixou a cabeça, sua voz amarga: "Porque eu devia a ele... devia demais. Meu coração não era dele, mas eu queria fazer algo por ele, assim como por Hugo. Queria, antes de morrer, fazer algo por ele. A única coisa com que eu podia ajudá-los era o tesouro..."
Antônio soltou uma risada baixa, como se achasse suas palavras cômicas, mas também conseguisse entender seu desamparo.
A vida de Maria foi muito dura. Naqueles acontecimentos do passado, ela não teve culpa, foi a vítima. Se não fosse por Levi tê-la tirado de Cidade Aurora, sua vida teria sido ainda mais difícil.
Ela era grata, carregava o fardo de uma obrigação moral e, com isso, perdeu sua liberdade.
Ele disse em voz baixa: "Tudo na vida é causa e efeito. Não vou culpá-la, mas é verdade que não a acompanharei mais nesta última jornada."
Maria sorriu de repente. Ela enxugou o rosto com um sorriso e olhou novamente para Antônio: "Não tem problema, Antônio. Agora, eu não tenho mais nada a pedir, apenas espero que você não se esqueça do que me prometeu..."
Antônio franziu a testa, lembrando-se dos dois pedidos que Maria fizera no hospital. Ele ficou em silêncio por um momento e, com esforço, forçou as palavras a saírem de sua garganta: "Certo, não vou esquecer."
"Isso é bom", Maria suspirou aliviada, o peito tremendo com a emoção.
Ela sabia que estava sendo um pouco desprezível. Mesmo prestes a partir, ainda o prendia com um último desejo, colocando-o em uma posição difícil.

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