O corpo de Antônio Martins enrijeceu levemente.
Ela olhou para o perfil dele, os olhos cheios de lágrimas. "Nesta vida, nós já nos perdemos. Não tenho a ilusão de que possamos voltar a ficar juntos, apenas espero que você possa viver feliz e em paz... Se por acaso você não estiver feliz, por favor, me diga."
Antônio observou seu olhar focado, e suas pupilas se contraíram sutilmente.
Enquanto os dois conversavam, um som de "cof, cof" repentinamente ecoou. Mário Martins, amparado por um velho servo, aproximou-se, lançando um olhar gélido sobre o casal, o que fez Maria Barreto sentir um arrepio por todo o corpo.
"Olá, Senhor Mário...", Maria o cumprimentou em voz baixa.
Mário ignorou seu cumprimento. A bengala com entalhes de dragão bateu com força no chão de tijolos de barro, produzindo um som surdo de "toc". Ele voltou seu olhar frio para Antônio: "O que significa isto?"
Antônio apressou-se a explicar: "Pai, Maria não está bem de saúde e não tem ninguém para cuidar dela no hospital. Eu a trouxe para ficar aqui por um tempo."
Maria abaixou a cabeça, submissa.
Mário estreitou os olhos: "Qual é a relação de vocês agora?"
"Amigos", Antônio respondeu rapidamente.
Mário bufou, seu olhar passando pela pulseira de ouro no pulso de Maria, que ele reconheceu imediatamente como uma das joias do cofre da família. "Então essa amizade de vocês vai muito bem."
"Pai, ela está muito doente. O médico disse... que ela pode partir a qualquer momento." Antônio tentou argumentar, mas foi interrompido pelo velho senhor.
"Ela pode morrer a qualquer momento em nossa casa, na Família Martins?", o rosto do velho senhor escureceu.
Antônio viu o rosto de Maria empalidecer instantaneamente e, por instinto, explicou: "Não é bem assim. O médico disse que ela precisa de repouso e tranquilidade. Se cuidar bem, por enquanto, não haverá problemas..."
"Quer dizer que, se não morrer, vai ficar aqui para sempre?", Mário perguntou com os olhos semicerrados, seu olhar afiado como uma faca.
De qualquer forma, a situação era desfavorável para a Família Martins.
Antônio: "..."

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