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No hospital, Maria e Antônio permaneceram em silêncio por um longo tempo após a conversa.
A garganta de Antônio se moveu enquanto ele abria a boca com dificuldade:
"Você está dizendo que o Hugo pertence à Família Martins?"
Maria assentiu levemente:
"Hugo já me perguntou tantas vezes, e eu nunca disse a verdade…"
"O ressentimento que ele sente por mim e pelo Levi é profundo demais. Se ele souber que Levi o adotou com outros interesses, o ódio dele só vai aumentar."
Ela levantou a mão, tentando ajeitar uma mecha de cabelo próxima à testa, mas a mão caiu no meio do caminho, sem forças.
"Naquela época, eu falhei com ele. Não fui responsável, nem dei a ele o que uma família normal deveria oferecer. Então, mesmo que ele nos odeie, é compreensível… Só não queria que ele acabasse assim. Todos esses anos, vendo-o se debater no ódio, meu coração ficou apertado."
"Talvez, para ele, nunca saber a verdade seja o melhor."
A testa de Antônio quase se uniu de tanta preocupação.
Hugo, como poderia ser seu irmão caçula, o tio de David?
A notícia explodiu em sua mente como uma bomba, difícil de aceitar de imediato.
Respirou fundo, tentando acalmar o choque interior, e perguntou:
"Já que ficou escondido a vida inteira, por que contar isso agora?"
Maria franziu a testa e, antes que pudesse responder, foi acometida por uma tosse forte.
Ao ouvir a tosse violenta de Maria, o coração de Antônio se apertou.
Ela se encolheu sobre a cama do hospital, as faces pálidas tingidas de um rubor doentio, parecendo uma flor delicada prestes a ser levada pelo vento e pela chuva.
"Você está bem?" Antônio segurou seu ombro, a voz cheia de preocupação.

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