Hugo não pôde deixar de soltar uma risada sarcástica:
— Antes eu não entendia por que você quis me adotar. Eu trabalhava feito um cão para você na Família Siqueira, fazendo todo tipo de coisa que ninguém podia saber, e você nunca demonstrou um pingo de carinho. Depois, fiquei sabendo que você odiava a Família Martins, odiava o Antônio. Então comecei a suspeitar se o meu passado não teria alguma ligação com a Família Martins.
Os olhos de Levi, antes turvos, se arregalaram de repente, um espanto profundo marcado no rosto, e o pomo de adão subiu e desceu de forma incontrolável.
Hugo percebeu cada pequena mudança de expressão, e um lampejo de entendimento surgiu em seu olhar.
— Então é isso mesmo… Minha origem tem a ver com a Família Martins.
Pela reação de Levi, aquele dossiê era verdadeiro.
Ele soltou um leve riso e avançou um passo, sua presença tornando-se tão opressora que Levi recuou instintivamente.
— Meu pai é o Dinis!
Assim que pronunciou essas palavras, o choque nos olhos de Levi quase transbordou. Ele ficou completamente paralisado, como se tivesse sido atingido por um raio.
Após alguns segundos de silêncio, Levi finalmente conseguiu falar, com dificuldade:
— E o que mais você descobriu?
Hugo semicerrrou os olhos, a voz tão fria quanto uma brisa de inverno:
— Para ser sincero, não sei muito. Só descobri que meu pai era o Dinis. Fora isso, nem sequer sei quem é minha mãe...
— Por isso que vim até você. Achei que você, com certeza, saberia de tudo.
Mal terminara de falar, Levi jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada.
Hugo franziu o cenho, claramente impaciente:
— Do que você está rindo?

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