Ao ver isso, as sobrancelhas de Orlando se franziram ainda mais.
Na verdade, ele também tinha levado vários sustos naquela noite. No momento em que soube do desaparecimento de Raquel, foi ele quem ficou mais aflito, o coração disparando tanto que até agora não conseguira se acalmar.
Ele também queria ser consolado por alguém.
Mas, claramente, alguém não tinha essa sensibilidade; agora, além de ter a atenção toda voltada para os quatro pequenos travessos, ainda queria mandá-lo para dormir sozinho no quarto.
Vendo que Raquel estava mesmo decidida a ficar, ele só pôde voltar para o quarto sozinho, com um ar abatido.
Afinal, estavam na casa da Família Gomes; não era apropriado nem possível agir de qualquer maneira ali.
Assim que Orlando saiu, Raquel puxou Jessica para um canto, os olhos atentos varrendo o ambiente para garantir que os quatro pequenos continuavam entretidos com suas brincadeiras.
"O que foi? Cheia de mistério assim..." Jessica mal conseguiu acompanhar o passo quando foi puxada.
Raquel fez um gesto pedindo silêncio e baixou ainda mais a voz: "Fala baixo, quero te contar uma coisa."
Jessica, vendo todo aquele mistério, ficou logo curiosa: "O que é?"
Raquel se aproximou do ouvido de Jessica: "Aqueles dois corujas... são mesmo irmãos de sangue? Eu acho eles meio estranhos..."
Jessica franziu a testa: "São sim, irmãos de verdade. Por que, o que tem de estranho?"
Raquel mordeu o lábio inferior, escolhendo as palavras: "É que... eles parecem tão... íntimos."
"Íntimos?" Jessica não entendeu, "Ué, mas isso não é tão incomum, né? Irmãos que se dão bem..."
"Não é esse tipo de bem!" Raquel gesticulou aflita, "Quero dizer... quando estava no carro com eles, vi os dois..."
Ela travou de repente, como se fosse difícil dizer o que queria.
Jessica ficou ainda mais curiosa: "Viu o quê?"
Raquel balançou a cabeça: "Eles não pareciam irmãos, de jeito nenhum."


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